O advento das publicações, virtuais ou impressas, dedicadas aos assuntos que giram em órbita do chamado lifestyle teve algumas consequências nefastas para a língua portuguesa. Uma delas foi a súbita proliferação de neologismos supérfluos dos quais esplanadar será, porventura, o exemplo mais flagrante. Nascido da necessidade de arranjar uma forma criativa de escrever sobre um tema — esplanadas — mais gasto do que pneus de táxi, o termo passou de engraçadismo pontual a recurso estilístico recorrente, ao ponto de, à hora a que se escreve este artigo, uma pesquisa no Google denunciar cerca de 2000 utilizações.

GHP terraço

Ok, esta foto não é de Lisboa, mas sim da Invicta. Só que é tão boa que merece ser partilhada. Eis o rooftop do Grande Hotel do Porto no final do século XIX.
(crédito: www.grandehotelporto.com)

Do lado dos empresários houve, por sua vez, uma aposta firme na anglicização do léxico relacionado com a temática. As inúmeras sunset parties em rooftops com happy hours e zonas lounge regadas a cocktails são disso prova. Mas convenhamos: esta coisa de beber e comer à fresca é um fenómeno muito menos recente do que a invenção de um verbo para definir a prática ou a importação de expressões alheias para a enfeitar. E é isso que se pretende recordar nesta fotogaleria: as esplanadas de Lisboa noutros tempos, da Avenida da Liberdade ao Rossio, do Parque Eduardo VII ao Cais do Sodré e onde pontificavam, quase sempre, as míticas cadeiras Gonçalo. Aqui não se esplanadava, convivia-se.