A oposição venezuelana anunciou que validou 326 mil assinaturas, ultrapassando amplamente as quase duzentas mil que eram necessárias para solicitar um referendo revogatório do mandato do Presidente Nicolás Maduro.

“O total geral de assinaturas validadas, até este momento, é de 326.381, o dobro destas pessoas tentaram validar as suas assinaturas e não puderam fazê-lo”, disse uma deputada da oposição aos jornalistas.

Delsa Solorzano queixou-se de que o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela fechou alguns centros de verificação apesar de existirem pessoas em fila para assinar e que habilitou poucas máquinas biométricas, dificultando a verificação de todas as assinaturas recolhidas pela oposição.

“Com (apenas) 300 máquinas teríamos que validar as assinaturas continuamente, duas pessoas por minuto durante sete horas, nos cinco dias, para poder atingir a meta”, frisou.

Por outro lado, denunciou que em localidades como Monágas, a falta de energia elétrica impediu a validação de mais assinaturas e que no Estado de Arágua “tentaram fechar vários sítios de validação com armas de fogo”.

Uma vez validadas as “intenções” dos venezuelanos manifestando a vontade de solicitar o referendo revogatório, a oposição deverá agora recolher 20% das assinaturas dos eleitores, aproximadamente quatro milhões de assinaturas.

A oposição quer realizar o “referendo revogatório” ainda em 2016 e tem acusado o CNE de atrasar a calendarização das diferentes etapas do processo.

Se o referendo se realizar até 10 de janeiro de 2017 deverão ser convocadas novas eleições presidenciais, segundo a legislação venezuelana. Se o referendo for convocado para depois dessa data, o vice-presidente da Venezuela assumirá os destinos do país até 2019, quando termina o atual mandato presidencial.

Simpatizantes de Nicolás Maduro e ministros do seu Governo têm insistido que será impossível realizar o referendo ainda em 2016.