O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair afirmou que o resultado do referendo britânico a favor da saída do Reino Unido da União Europeia “mostra que os movimentos insurgentes da política podem assumir o controlo de um país”.

“Entramos numa era de uma imprevisibilidade insólita”, avisou Blair, num encontro com vários jornalistas estrangeiros em Londres, segundo publicou este sábado o diário espanhol El País.

O ex-primeiro-ministro trabalhista (1997-2007) reconheceu que o projeto europeu “enfrenta um desafio enorme” e aqueles que acreditam nele devem “dar um passo em frente e defender uma verdadeira reforma”. Blair observou que as consequências do resultado do referendo “são imensas” e “requer uma profunda reflexão sobre o futuro da política de centro”.

Na sua opinião, o ‘Brexit’ (nome como ficou conhecida a saída britânica da União Europeia) significa “um grande voto contra a política tradicional” e agora “deve encontrar soluções para os problemas das pessoas, incluindo a imigração”.

Sobre a ameaça da unidade territorial do Reino Unido, Blair afirmou que o resultado do referendo “vai acrescentar pressão”, reconhecendo que “o tema escocês é claro” porque “a Escócia votou fortemente pela permanência”.

Por último, Blair confessou sentir “pena” do primeiro-ministro britânico conservador David Cameron, ao considerar que o anúncio da sua demissão foi “uma decisão difícil”.

Questionado se foi um erro a convocatória do referendo, o ex-primeiro-ministro sublinhou o caráter delicado da questão porque “qualquer comentário pode parecer antidemocrático”, mas lembrou que “a democracia parlamentar é eleger um governo para que tome decisões”.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair da União Europeia (UE), depois de o ‘Brexit’ ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira, cuja taxa de participação foi de 72,2%. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou a sua demissão, com efeitos em outubro.