O Papa Francisco visitou, este sábado, a Arménia e rezou pelas vítimas de genocídio. O vice-primeiro-ministro turco, reagiu duramente no sábado à noite à palavra “genocídio” proferida pelo Papa diante da classe política arménia, falando de uma “mentalidade de cruzados”. O Vaticano reagiu às acusações do governante turco e afirmou que o papa Francisco “não faz cruzadas” nem falou contra a Turquia “num espírito de cruzada” quando pronunciou a palavra genocídio durante a visita à Arménia.

A declaração de Francisco é “muito infeliz”, afirmou Nurettin Canlikli, vice-primeiro-ministro turco, citado pela agência noticiosa Anadolu, acrescentando que a declaração do pontífice não é objetiva nem está em conformidade com a realidade. “É possível ver todas as marcas e as reflexões características da mentalidade das cruzadas nas atividades do papa”, frisou ainda o governante turco.

“Se escutarem o papa, não há nada [nas suas palavras] que evoque um espírito de cruzada. A sua vontade é de construir pontes em vez de muros. A sua verdadeira intenção é construir as bases para a paz e a reconciliação”, afirmou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, em declarações à comunicação social na capital arménia, Erevan. “Francisco reza pela reconciliação de todos, não pronunciou uma palavra contra o povo turco. O papa não faz cruzadas, não procura organizar guerras”, insistiu o representante da Santa Sé.

O papa Francisco iniciou na sexta-feira uma visita à Arménia, considerada como o primeiro Estado a ter adotado o cristianismo, no início do século IV. Nesse dia, na capital da Arménia, Francisco condenou “o genocídio” dos arménios há um século pelas forças do Império Otomano, pronunciando pela segunda vez uma palavra considerada inaceitável pela Turquia. A primeira vez aconteceu em abril de 2015.

Os arménios tentam há décadas que os massacres de 1915-17 sejam reconhecidos internacionalmente como genocídio, termo que a Turquia rejeita, garantindo que se tratou de uma tragédia coletiva durante a qual morreu um igual número de turcos e arménios. Apenas cerca de 30 países reconheceram até hoje que os arménios foram vítimas de genocídio.