Jesse Williams, ator americano conhecido pelo seu papel em “Anatomia de Grey”, foi distinguido este fim de semana com o prémio “Humanitarian Award”, nos Bet Awards (destinados a premiar artistas afro-americanos). O ator e ativista pelos direitos dos negros nos Estados Unidos fez um discurso que emocionou todo o auditório, ao falar sobre as desigualdades raciais naquele país.

Williams começou por agradecer aos pais e à sua mulher, antes de dizer: “Este prémio não é para mim”. E depois enumerou: “É para os ativistas, para os advogados de direitos civis, para os pais que passam dificuldades, para as famílias, para os professores, para os estudantes, que estão a perceber que um sistema construído para nos dividir, empobrecer e destruir não pode continuar se nós nos mantivermos em pé”.

Depois, fez uma referência que fez a plateia aplaudi-lo de pé: “Olhamos para os dados e sabemos que a polícia, de alguma forma, conseguiu desarmar e não matar pessoas brancas todos os dias, e em menor número. Por isso, o que vai acontecer é que iremos obter direitos iguais e justiça no nosso país, ou teremos de restruturar a função deles e a nossa”.

O ator lembrou Tamir Rice, o jovem que foi baleado com 12 anos, em 2014, por polícias em Cleveland. Este sábado, Rice teria feito 14 anos. “Por isso, não quer ouvir falar do quão longe já chegámos, quando funcionários públicos podem matar uma criança de 12 anos a brincar sozinha num parque, em pleno dia”, disse Williams, considerando a morte de Rice um “drive-by” (expressão americana usada para descrever um tiro disparado de um carro em movimento, fugindo de seguida).

O discurso incluiu ainda acusações a quem não faz parte da luta. “Se não têm interesse na igualdade de direitos para as pessoas negras, não façam sugestões a quem tem. Sentem-se”. Williams terminou dizendo que os negros há séculos que estão fartos “desta invenção chamada whiteness“, e acrescentando que os negros são pessoas reais.

[Veja o discurso completo, em inglês.]

https://www.youtube.com/watch?v=z7cyvm9fOJI