A companhia aérea de baixo-custo britânica EasyJet advertiu que o “Brexit” vai ter impacto nas vendas na segunda metade do ano. A transportadora britânica antecipa que o resultado do referendo da passada quinta-feira vai criar incerteza na economia e entre os consumidores, diminuindo a receita em aproximadamente 5%, “pelo menos”, comparativamente ao período homólogo do ano passado.

As previsões indicam menos 28 milhões de libras (cerca de 33 milhões de euros) em lucros antes dos impostos no terceiro trimestre de 2016. E o aumento do preço dos combustíveis também deve representar um aumento dos custos da companhia aérea em 25 milhões de libras (cerca de 30 milhões de euros), noticia o The Telegraph. Os lucros da companhia low-cost também serão afetados pela greve dos controladores aéreos franceses do passado dia 23 de junho.

Férias mais caras para os britânicos

Com o início da época de férias muitos britânicos vão sentir de imediato o preço do Brexit no aumento do custo das férias, desde o preço das reservas dos hotéis ao preço das tarifas aéreas, refere o Independent. Um dos fatores a fazer subir os preços é a desvalorização da libra esterlina, em especial, em relação ao euro mas também em relação a outras moedas como o dólar norte-americano.

O petróleo é cotado em dólares norte-americanos, o que faz subir o preço do combustível da aviação. A desvalorização de 12 por cento da libra esterlina vai fazer aumentar os custos para as companhias aéreas como a British Airways, Ryanair e EasyJet.

Será o fim das tarifas aéreas baratas para os britânicos?

A política de “céu aberto” é um dos benefícios mais tangíveis da adesão Reino Unido à União Europeia. Desde 1994, que qualquer companhia aérea da UE tem liberdade para voar entre quaisquer dois pontos na Europa o que favoreceu a concorrência entre companhia a baixa dos preços para o consumidor.

Este mercado único permitiu a companhias de baixo-custo como a EasyJet e Ryanair crescer e permitiu a companhias como a British Airways, a Air France e Lufthansa baixar os custos operacionais, e em consequência, fazer descer o preço das tarifas. Segundo o Independent, o preço de uma viagem de avião dentro da Europa custa, em média, cerca de metade daquilo que custava no início da década de 1990 e os para os passageiros com datas de viagem flexíveis, os preços podem ser ainda mais baratos.

Com a saída da UE, o Reino Unido ver-se-á obrigado a negociar outro tipo de acordo com os países que fazem parte da união económica europeia, com o intuito de conseguir vantagens para as companhias aéreas britânicas que lhes permitam manter-se competitivas. A British Airways e a Virgin Atlantic que operam voos transatlânticos para os EUA ao abrigo da pertença à UE vão também ter de estabelecer outro tipo de acordo com o país, provavelmente um acordo bilateral, o que se pode traduzir num aumento do preço final das tarifas aéreas para o consumidor.

No entanto, apesar desta incerteza ao nível de acordos futuros para as operações das companhias aéreas britânicas, o Reino Unido continuará a deter uma vantagem negocial muito competitiva, uma vez que Londres possui o terceiro maior hub — um aeroporto de referência em termos de transbordo de passageiros para voos de ligação — do Mundo, o aeroporto de Heathrow.