Dois pandas-gigantes gémeos nasceram pela primeira vez em Macau, no domingo, filhos do casal Sam Sam (fêmea) e Hoi Hoi (macho), oferecidos pela China, informaram as autoridades locais.

As crias nasceram durante a tarde de domingo, uma com 135 gramas, em boas condições de saúde, e a outra com apenas 53,8 gramas, pelo que teve de ser colocada numa incubadora, em cuidados intensivos, segundo informações avançadas pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), apenas em chinês, citadas pela agência Xinhua.

Os nascimentos de pandas-gigantes são momentos especiais, porque esta espécie se encontra muito ameaçada. Este aconteceu no Zoo de Toronto.

Na sexta-feira, o IACM revelou a suspeita de que Sam Sam, de oito anos, estivesse grávida, já que apresentava sintomas comuns de gestação, como menos apetite, menos atividade e alterações fisiológicas. As crias viriam a nascer dois dias depois.

“Estes sintomas são fortemente favoráveis a uma gravidez de uma panda gigante fêmea”, disse Leong Kun Fong, membro do conselho de administração do IACM, alertando, no entanto, que é “muito comum que as pandas exibam sinais e sintomas de gravidez”.

Os pandas-gigantes passam por um período de gestação entre 83 e 180 dias, mas os primeiros sintomas podem surgir apenas ao fim de 100 dias. As pseudo-gravidezes são comuns, verificando-se não só alterações no comportamento, como hormonais, o que pode tornar os testes inconclusivos. As ecografias também podem ser difíceis de efetuar devido ao tamanho extremamente reduzido do feto.

As crias de panda-gigante são consideravelmente mais pequenas do que os progenitores. Este nascimento aconteceu no Zoo de Atlanta.

É comum as fêmeas de panda-gigante terem duas crias gémeas. É provável que esta seja uma estratégia para garantir o sucesso da reprodução: caso a primeira cria não consiga sobreviver, a fêmea terá outra à qual se dedicar. De qualquer forma, na natureza, a fêmea só tomará conta de uma, porque o investimento da mãe com a cria é muito grande e seria pouco viável criar dois pandas.

Os nascimentos de pandas-gigantes são raros, por isso tenta-se que todos os animais nascidos sob cuidados humanos sobrevivam. Existem centros de reprodução de pandas-gigantes, como o centro na província de Sichuan (China), que vão alternando a cria que está com a mãe. Enquanto uma está a receber os cuidados da mãe e a mamar, a outra está numa incubadora (no início) ou num berçário a receber cuidados humanos e a beber uma fórmula adaptada ao seu desenvolvimento. Todos os dias, os tratadores vão trocando a cria que está com a mãe e a cria que está no berçário, para que a mãe aceite e crie ambas.

O panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca) encontra-se ameaçado de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza. A maior ameaça a esta espécie é a perda e deterioração do habitat. Estes animais vivem confinados às florestas de bambu nas montanhas do sul da China. Devido à pressão da agricultura, os pandas-gigantes estão isolados em seis pequenas “ilhas” e impossibilitados de viajar para outras áreas. Este isolamento leva também a uma perda de diversidade genética que diminui a probabilidade de sobrevivência destas populações e, em última análise, da própria espécie.

Outro problema é a dependência alimentar de um único tipo de planta: o bambu. As várias espécies de bambu têm um ciclo de vida particular: florescem uma única vez na vida e depois disso morrem. Esta floração pode acontecer apenas quando a planta tem 100 ou mais anos, mas acontece em todas as plantas daquela espécie em simultâneo.

Quando veem as plantas em floração, os pandas-gigantes sabem que devem procurar outro local onde se alimentar, porque em breve todas as plantas de bambu morrerão e ficarão sem alimento. O problema é que os pandas-gigantes têm cada vez menos sítios para onde fugir.