O Governo angolano adjudicou a empresas chinesas, por despachos do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, mais 15 obras públicas por 631 milhões de dólares (568 milhões de euros), investimento financiado pela Linha de Crédito da China (LCC).

A informação consta de 15 despachos presidenciais com data de 14 de junho, aos quais a Lusa teve acesso esta terça-feira, aprovando as respetivas propostas de adjudicação das empreitadas a empresas chinesas, mas prevendo a subcontratação de algumas empresas angolanas.

Até ao momento, as 69 empreitadas adjudicadas pelo Governo angolano a empresas chinesas, no âmbito da LCC, ascendem já a mais de 3.791 milhões de dólares (3.416 milhões de euros).

Os concursos, lê-se nos documentos, foram limitados “por prévia qualificação” das empresas, no âmbito desta linha de financiamento.

Só a construção do novo sistema de abastecimento de água da Cidade de Cabinda – Lote 1, adjudicada à empresa China Railway 20TH Construction Bureau (CR20), vai custar quase 120,2 milhões de dólares (108,3 milhões de euros), enquanto o Lote 2 da mesma empreitada, adjudicada à empresa China Railway (International) Construction custará 88,8 milhões de dólares (80 milhões de euros).

Ainda neste último lote de 15 novas empreitadas conta-se a reabilitação da estrada Xinge/Lubalo, na província da Lunda Sul, a ser adjudicada à empresa China National Machinery Industry Corporation Group (SINOMACH), por 59,4 milhões de dólares (53,5 milhões de euros), ou das estradas nacionais 110/280, entre Caconda/Chicomba/Desvio de Quipungo, e entre Caconda/Rio Ngalo, na província da Huíla, a realizar pela China Railway 20 Bureau Group Corporation (CR20) por 58,8 milhões de dólares (52,9 milhões de euros).

A Lusa noticiou a 21 de janeiro que a LCC vai financiar 155 projetos em Angola com 5,2 mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros), a executar por empresas chinesas, estimando o Governo angolano a criação de quase 365.000 empregos.

No plano operacional da LCC, elaborado pelo Governo angolano com as obras a realizar pelas empresas chinesas ao abrigo deste financiamento e noticiado anteriormente pela Lusa, o setor da energia e águas lidera, em termos dos montantes a investir, entre nove setores, com 2.174.238.412 dólares (1,9 mil milhões de euros) alocados para 34 projetos.

O setor da construção, incluindo a reabilitação de estradas, contará com 33 projetos, mobilizando 1.644.282.124 dólares (1,4 mil milhões de euros).

A educação concentra o maior número de projetos, num total de 55, sobretudo a construção de escolas, num investimento global de 373.348.412 dólares (327 milhões de euros).

O documento é acompanhado por uma lista com 37 empresas chinesas “recomendadas para o mercado angolano”, ao abrigo da LCC.