Os hospitais EPE têm 605 milhões de euros em dívidas a fornecedores, diz a Direção Geral do Orçamento (DGO). Os pagamentos em atraso em maio nos hospitais controlados pelo Estado subiram 13% em relação a abril – um aumento de 70 milhões de euros nas dívidas. A notícia é avançada esta quarta-feira pelo Jornal de Negócios.

Os dados, revelados esta segunda-feira pela DGO, revelam que existem 1.086 milhões de euros de pagamentos em atraso no total da Administração Pública. “Para este resultado contribuiu sobretudo o subsetor da saúde […] com particular incidência nos hospitais EPE (69,6 milhões de euros)”, lê-se no boletim emitido pela DGO, e citado pelo Jornal de Negócios.

Um valor superior aos atuais 605 milhões de euros de pagamentos em atraso não era registado desde fevereiro de 2015. O valor mais baixo foi o registado em setembro de 2015, mas as dívidas em atraso dos hospitais EPE começou a disparar a partir de janeiro deste ano.

O jornal lembra que, durante o programa de ajustamento, o valor dos pagamentos em atraso foi particularmente escrutinado pelos credores internacionais. Apesar de, no geral, ter havido uma redução nestes valores, o caso dos hospitais EPE foi diferente, com uma evolução mais irregular. Estes hospitais precisam atualmente de muito tempo para pagar aos seus fornecedores. No final de 2015 o que tinha maiores atrasos era o Hospital Distrital de Santarém, que necessitava de 523 dias. Três hospitais precisavam de mais de um ano.

Apesar de não serem explicados os motivos para o aumento dos atrasos nos pagamentos, o Jornal de Negócios aponta algumas possibilidades. Os dados da execução orçamental do Serviço Nacional de Saúde mostram que houve quedas nos gastos com produtos farmacêuticos e redução na despesa com meios complementares de diagnóstico e terapêutica. Ainda assim, as despesas totais do SNS subiram, particularmente devido aos gastos com pessoal (4,7%).

Estes dados refletem “os efeitos decorrentes principalmente da reversão gradual remuneratória na Administração Pública e da evolução no número de efetivos no SNS”, explica a DGO. Já a receita sofreu um crescimento menor em relação a abril, devido ao menor financiamento do Orçamento de Estado para a saúde.