Doenças e azares ‘encolheram’ o pelotão português e, no sábado, no Mont-Saint-Michel, apenas Rui Costa (Lampre-Merida) e Nelson Oliveira (Movistar) estarão à partida para a 103.ª Volta a França em bicicleta.

Depois de dois anos auspiciosos, com uma representação ‘numerosa’, num quase pleno dos ’emigrantes’ das principais equipas do pelotão internacional, o destino de Portugal volta, tal como em 2013, a estar entregue a apenas dois corredores: Rui Costa e Nelson Oliveira, os dois antigos colegas que seguiram caminhos distintos e vivem agora fases opostas da carreira.

Enquanto o campeão mundial de 2013 está em final de contrato com a Lampre-Merida – cujos responsáveis não se coibiram ao longo da época de dizer que esperam que português lute por etapas e não pela geral – e precisa de dar nas vistas para despertar a cobiça das melhores equipas do pelotão, Oliveira vive o seu momento dourado.

‘Diamante em bruto’, o corredor de Vilarinho do Bairro (Anadia) baralhou as contas da sempre coesa e ‘repetitiva’ Movistar com uma performance de luxo nos campeonatos nacionais do último fim de semana — conquistou o terceiro título consecutivo no contrarrelógio e foi prata no fundo — e mereceu o direito de integrar a guarda de honra de Nairo Quintana, o principal rival de Chris Froome (Sky) na revalidação do título.

De fora, ficam aqueles que, de uma forma ou outra, viram a sua temporada condicionada por azares e doenças. São eles José Mendes (Bora-Argon 18), Tiago Machado (Katusha) e Sérgio Paulinho (Tinkoff) — André Cardoso também não estará, mas o pequeno trepador de Gondomar é uma eterna arma da Cannondale para o Giro.

O sonho do novo campeão nacional de fundo de estar presente pela terceira vez consecutiva no Tour com as cores da Bora-Argon 18 esbateu-se logo no início da época, quando uma doença do foro gastrointestinal o atirou para fora das estradas durante longas semanas.

Resignado com esta contrariedade, Mendes apontou baterias para a Vuelta, entrou em crescendo e viu a sua tenacidade recompensada no último domingo, dia em que conquistou pela primeira vez a camisola de campeão nacional de elites.

Tal como o seu amigo vimaranense, também Tiago Machado, que há dois anos deu nas vistas em solo francês, ao ocupar momentaneamente o terceiro lugar da geral, estará ausente da prova rainha do calendário e tem a última das três grandes voltas sob mira, depois de uma época que não está a correr como desejava: primeiro, caiu na Volta a Yorkshire, depois viu um vírus afastá-lo dos campeonatos nacionais.

Ausente em 2015, por ter estado na escolta de honra de Alberto Contador no seu triunfo no Giro, Sérgio Paulinho, aquele que durante anos era um nome incontornável entre os gregários de luxo da Volta a França, volta a falhar o Tour, desta vez de forma algo surpreendente.

Amigo e fiel ‘escudeiro’ do chefe de fila espanhol da Tinkoff, o veterano português ficou fora do ‘nove’ da equipa russa, após um 2016 para esquecer. Alérgico confesso — falhou os Jogos Olímpicos de Pequim2008 por esse motivo -, Paulinho tem visto a sua época afetada pela sua condição, tendo completado apenas duas provas.