Mais de meia centena de trabalhadores e dirigentes sindicais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) exigiram hoje, frente à sede da instituição, em Lisboa, melhores salários e condições de trabalho.

Os trabalhadores da SCML cumprem hoje uma greve de 24 horas para exigir aumentos salariais, congelados desde 2009, e progressão nas carreiras.

Alcides Teles, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, que convocou a greve, considerou que a adesão à paralisação “foi significativa” em várias valências da SCML.

“A adesão à greve tem algum impacto nos lares, porque as pessoas que trabalham nos serviços mínimos têm de lá estar, há creches encerradas, nas chamadas UDIP [Unidades de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade] houve adesão à greve, portanto temos uma adesão significativa”, disse.

O sindicalista salientou que “a Misericórdia apresentou este ano um lucro de 5,8 milhões de euros”.

“E diz que não tem dinheiro para aumentar os trabalhadores. Não tem sentido nenhum”, realçou.

Os trabalhadores protestam também contra as progressões extraordinárias nas carreiras (que só foram feitas a alguns trabalhadores), “a tentativa de harmonizar a contratação coletiva com direitos inferiores aos que têm hoje”, a precariedade laboral e os horários de trabalho, sublinhou Alcides Teles.

Por seu lado, o porta-voz da SCML, António Carneiro Jacinto, afirmou que apenas 113 trabalhadores, num universo de 5.400, fizeram greve, pelo que os serviços não foram afetados.

O porta-voz disse ainda que tem havido uma preocupação da atual Mesa Administrativa “em resolver problemas que se tinham eternizado na Santa Casa”, nomeadamente a entrada para o quadro de 300 auxiliares e a entrada em vigor de um horário semanal de trabalho de 35 horas, precisamente hoje.

“As questões vão ser tratadas no quadro do novo acordo da empresa que está a ser negociado com os sindicatos todos. Este sindicato suspendeu a sua presença nas negociações há dois meses. É uma decisão sua que nós respeitamos”, afirmou.

Além de aumentos salariais, o sindicato realçou que os trabalhadores pretendem a retirada – pela Santa Casa – de algumas propostas em sede de negociação do Acordo de Empresa, o fim das situações de precariedade e o reforço de pessoal em alguns serviços.

Os trabalhadores realizaram uma primeira greve em abril de 2015 pelos mesmos motivos.