O escritor Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto e prémio Nobel da Paz em 1986, morreu este sábado, aos 87 anos. Segundo o serviço de notícias israelita Ynet, o Prémio Nobel da Paz, de 1986, morreu na sua residência em Nova Iorque, quando estava acompanhado pela família.

Entre as suas publicações mais conhecidas encontra-se “Trilogia da Noite”, que escreveu a propósito das suas experiências nos campos de concentração, e que inclui “Noite” (1958), “Amanhecer” (1960) e “Dia” (1961). Em “Noite”, Wiesel conta as suas memórias enquanto adolescente judeu durante o Holocausto e sobre a forma como sobreviveu nos campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, já reagiu à morte do autor. “Através de sua personalidade excecional e livros fascinantes, Elie Wiesel deu expressão à vitória do espírito humano sobre a crueldade. Na escuridão do Holocausto, em que os nossos irmãos e irmãs foram assassinados, Elie Wiesel foi um raio de luz”, enalteceu Netanyahu.

Com apenas 15 anos, Elie Wiesel foi levado para Auschwitz juntamente com o pai, Shlomo Wiesel, um merceeiro judeu. A mãe e as três irmãs acabaram por ser transferidas para outro campo de concentração. Em Auschwitz, o jovem Wiesel recebeu uma tatuagem com o número A-7713. Apesar da violência a que era sujeito todos os dias, conseguiu sobreviver e manter-se perto do pai até serem transferidos para Buchenwald. A poucos dias do fim da guerra, em 1945, no entanto, Shlomo acabaria agredido até à morte por guarda do campo de concentração. A mãe e a irmã mais nova também não sobreviveram, como lembram a USA Today e a CNN. Wiesel tornar-se-ia também conhecido por investigar o rasto de antigos criminosos de guerra nazis.

O terror que viveu às mãos do regime nazi marcá-lo-ia para sempre. Tornou-se um dos mais relevantes defensores dos direitos humanos, saindo publicamente em defesa das vítimas do regime bósnio, dos refugiados cambojanos e das vítimas do apartheid, na África do Sul.

Wiesel era um dos escritores judeus mais conhecidos e um defensor da memória do Holocausto, através da educação. Autor de mais de 30 ensaios e romances, nasceu, a 30 de setembro de 1928, na localidade húngara de Sighet, atual Roménia, e é cidadão norte-americano desde 1963.

Quando terminou a II Guerra Mundial (1939-1945), foi estudar para a Universidade de Paris, tendo chegado a trabalhar como jornalista. A partir de 1976, deu aulas na Universidade de Boston, nos Estados Unidos.

Amigo do ex-Presidente francês François Mitterrand, escreveu as memórias deste, em 1995, sob o título “Memória a duas vozes”.

Além do Nobel da Paz, Elie Wiesel foi agraciado com a Medalha Presidencial da Liberdade, concedida pelo Presidente dos EUA, com a Medalha de Ouro do Congresso norte-americano e com a Grã-Cruz da Ordem Nacional da Legião de Honra francesa.

Com a sua mulher, Marion Rose, criou a Fundação Elie Wiesel para a Humanidade.

Em maio de 2014, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanhayu, propôs o seu nome para suceder a Shimon Peres como Presidente do Estado de Israel, mas Wiesel não tinha nacionalidade israelita para poder ocupar o cargo.