O cantor brasileiro Djavan considerou que o Brasil está a viver um período histórico ao purgar os seus problemas e ao tentar melhorar a atuação do setor político, demonstrando que o país tem atualmente uma democracia forte e concreta.

“Eu acho que a situação no Brasil desperta-me duas grandes coisas, que são esperança e otimismo. Eu penso que o Brasil está vivendo um período histórico, que é esse período em que estamos purgando os nossos problemas, tentando resolver todos os nossos problemas, tentando melhorar a atuação política”, disse o músico, em declarações à Lusa, por telefone, a partir do Rio de Janeiro.

Djavan regressa aos palcos portugueses no Campo Pequeno, em Lisboa, no dia 04 de novembro, e no Coliseu do Porto, no dia 06 de novembro, apresentando as canções do recente álbum, lançado em 2015, e os seus sucessos consagrados como ‘Flor-de-Lis’, ‘Lilás’, ‘Eu te Devoro’, entre muitos outros.

“Eu acho que o Brasil sairá desse episódio melhor, não tem a menor ‘chance’ (hipótese) disso não acontecer”, sublinhou.

Para o cantor, uma das coisas que mais o alegra “é a ratificação de que a democracia [brasileira] hoje é algo de concreto, porque só um país com uma democracia real suportaria uma metamorfose tão grande como essa que está acontecendo”.

“Você tem algo acontecendo hoje no Brasil impensável há dez, cinco anos. Porque quando aconteceu o “mensalão” não se tinha a menor ideia dessas coisas todas, como o “petrolão” e não só, porque isso não vai parar aqui, porque todas as instituições governamentais foram atingidas pela corrupção e isso tem vindo à tona todo o momento”, avaliou.

Os escândalos do ‘mensalão’ (compra de votos aos deputados pelos políticos do Partido dos Trabalhadores, ainda no Governo de Lula da Silva), do ‘petrolão’ (como é também conhecido o escândalo de corrupção na Petrobras, investigada pela Polícia Federal (PF) e justiça federal) e outros acabaram por atingir os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), sobretudo o da Presidente Dilma Rousseff.

Dilma Rousseff foi afastada por até 180 dias para o prosseguimento do seu processo de destituição do cargo de Presidente pelo Congresso Nacional, e, somado a isso, neste momento o país passa por uma grande recessão económica.

“É uma coisa que me alegra, o facto de a democracia brasileira ser uma realidade, porque só um país realmente democrático suportaria um reboliço moral e ético tão grande como estamos vivendo aqui”, disse Djavan.

“Eu posso dizer com bastante certeza que a esperança e o otimismo são os sentimentos que mais guardo com relação a todos esses episódios”, acrescentou.

De acordo com o músico, “a democracia não é uma máxima tão vigente ou tão considerada na América Latina”, onde há países “com uma tendência ao autoritarismo muito forte”.

“O Brasil, que é a nação mais importante por ser maior e ter a economia mais vigorosa da América Latina, está a dar um grande exemplo de democracia. A Argentina, com a ascensão do (Presidente Maurício) Macri vai provavelmente resolver os seus problemas”, acrescentou.

Segundo Djavan, este “exemplo de democracia fortíssimo” por parte do Brasil é importante, sobretudo para países como Venezuela, Bolívia e Equador, “que são nações que lidam com essa fragilidade democrática”.

Venezuela, Bolívia e Equador não estão de acordo com o processo de ‘impeachment’ da Presidente Dilma Rouseff – que foi substituída temporariamente pelo vice-Presidente, Michel Temer – referindo que todo o processo é “um golpe” contra a democracia e a esquerda ‘bolivariana’, termo criado pelo ex-Presidente Hugo Chávez.

Djavan completou 40 anos de carreira em 2015, ano em que também foi agraciado com o Grammy Latino em homenagem à sua obra. Anteriormente, recebeu o Grammy Latino em 2000, pela música “Acelerou” e em 2010 pelo disco “Ária”.