“Ir corajosamente aos sítios onde as raparigas decentes não iriam” era a missão que a holandesa Marieke, uma fotógrafa de 31 anos, perseguia nas suas aventuras com uma máquina fotográfica ao pescoço. Começou por apontá-la aos bull terriers com quem vive, depois a grávidas e a casais de noivos. Até que decidiu ir mais longe e aderir ao movimento Urbex, uma forma de exploração de edifícios ou lugares localizados fora dos percursos urbanos normais.

Nessas aventuras, Marieke cruzou-se com dezenas de edifícios abandonados, entregues ao silêncio, ao rasto das presenças do passado e à passagem do tempo. “Tento captar os momentos da forma mais pura possível”, servindo-se principalmente da luz natural, como explica no site onde expõe o seu trabalho. Gosta de pautar esse trabalho com irreverência e admite que tanto a pode encontrar no meio da floresta, como deitada no sofá de casa. Mas as explorações Urbex são as preferidas da holandesa: “Estes são edifícios onde antes reinava a atividade. Onde as pessoas viveram, trabalharam ou rezaram ao seu Deus”.

Em muitos deles, Marieke chegou a descobrir sinais de que as pessoas que ali viviam tiveram de sair de um momento para o outro e deixar tudo para trás. “Estes sítios parecem quase irreais e muitas vezes eles não são facilmente acessíveis. Impressionante é a forma como a natureza está a assumir o controlo do que o Homem criou”, descreve a fotógrafa. Mas não desvenda as suas localizações, porque o objetivo é deixar essas informações no segredo dos aventureiros: “Isso é parte da beleza”, justifica.

Pode encontrar mais fotografias no site da artista e na página de Facebook “MjB’s Secrets to Yesterday“. Há 20 exemplos para explorar na fotogaleria. As legendas das imagens foram as escolhidas por Marieke nas redes sociais.