Uma empresa de Roterdão, na Holanda, está a planear a construção de uma quinta flutuante para produzir laticínios. O projeto da Beladon, avaliado em 2,5 milhões de euros, consiste na criação de um espaço de 1.200 metros quadrados onde possam viver 40 vacas leiteiras. A meta é a produção de mil litros de leite por dia.

Num piso inferior da quinta, que também será um laboratório de alta tecnologia, o leite será pasteurizado e transformado em iogurte.

Minke van Wingerden, representante da empresa, disse ao The Guardian que “a população mundial está a crescer, e muitas das cidades localizadas em deltas estão a afundar por causa da quantidade de betão”. A Beladon já desenvolveu vários projetos flutuantes. Por isso, a ideia de criar uma quinta flutuante para dar resposta à falta de “espaço para a produção tradicional de alimentos” surgiu naturalmente.

Experiente em construir projetos flutuantes, a Beladon juntou-se à quinta Uit Je Eigen Stad (Da Sua Cidade), um projeto que promove a agricultura em Roterdão, à empresa de laticínios Courage e ao fundo SOFIE, do porto de Roterdão. A estrutura será construída em betão, que é leve e flutuante.

Um dos responsáveis da Uit Je Eigen Stad, Johan Bosman, explicou ao jornal britânico que “o mundo vai crescer, e haverá cada vez mais pessoas a viver em cidades em deltas”. Por isso, será necessário “expandir as cidades” utilizando “zonas verdes para propósitos habitacionais”, deixando menos espaço para a produção alimentar

Bosman reconhece, no entanto, os desafios. As vacas são “animais grandes, e há uma série de regras”. Klaas van der Molen, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto, explica que “com 40 vacas de 800kg cada”, a quinta tem de ser estável. É que as vacas podem decidir “estar todas do mesmo lado”. Além disso, os animais podem sair da quinta através de uma rampa, e descer até pastos reais, na costa.

A quinta flutuante tem várias preocupações ecológicas: além de painéis solares no topo, para produzir energia para os processos de produção dos laticínios, o esterco será usado na própria quinta ou enviado para outras quintas, próximas do local. A urina das vacas será purificada, e transformada em água, que será utilizada para fazer crescer plantas na plataforma.

De acordo com o site da quinta, o projeto deverá estar pronto em dezembro deste ano, e será inaugurado em janeiro de 2017.