Se não fosse Yasin Durna, um polícia do aeroporto de Atatürk, o atentado terrorista que matou 44 pessoas e feriu 239 em Istambul podia ter sido muito mais mortal.

Os três terroristas responsáveis pelo ataque tinham como missão passar pelos controlos de raio-x a todo o custo, nem que fosse a tiro, explica o El Mundo. Contudo, um deles foi neutralizado pela polícia, antes de se fazer explodir, já sozinho naquela zona do terminal.

Depois de terem reparado no homem no terminal, e de o terem considerado um suspeito, os polícias Ahmet Berker e Yasin Durna seguiram-no. Berker, um polícia que habitualmente perseguia carteiristas e que, por isso, estava desarmado, dirigiu-se ao indivíduo para o identificar. Em resposta, o terrorista deu-lhe três tiros, revelando-se antes de conseguir efetuar o ataque.

No meio do caos motivado pelos tiros do atacante, aquela zona do terminal rapidamente ficou vazia. No mesmo momento, o outro polícia, Yasin Durna, imobilizou o atacante.

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Os jornalistas estão impedidos de entrar no hospital e contactar com os polícias, mas o El Mundo ouviu o presidente da companhia aérea Turkish Airlines, Ilker Ayci, que foi visitar Durna, e que lembra o relato do polícia. “Disparei cinco ou seis vezes por trás. Para me assegurar de que ele estava neutralizado, cheguei-me perto dele, vi a bomba e avisei toda a gente do que fugia. Pouco depois, detonou-a”, contou Durna ao presidente da Turkish Airlines.

Ambos os polícias ficaram gravemente feridos, e estão neste momento a recuperar. Durna já é considerado um herói nacional, símbolo da luta contra o terrorismo. Trabalha no aeroporto há dois anos e meio, mas, antes tinha estudado para ser professor. A família espera agora que o polícia recupere e possa ir para a sua terra de origem, em Bartin, um enclave costeiro perto de Istambul.

Ahmed Chatayev, o homem que planeou o ataque

Quando se prepararam para o atentado, munindo-se de Kalashnikovs, pistolas e granadas, os terroristas não contavam com a valentia dos polícias, mesmo em desvantagem.

O plano pensado por Ahmed Chatayev, um russo que se acredita que está por trás do ataque de Istambul, era mortal. Malas carregadas de armas, coletes de explosivos e nada a perder. No entanto, bastou Ahmet Berker identificar-se para um dos atacantes se revelar e não ter conseguido concretizar o atentado, sendo de imediato neutralizado por Durna.

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Ahmed Chatayev, o suposto responsável pelo planeamento do atentado, era conhecido por só ter um braço. Há anos na lista dos mais procurados da Rússia, Chatayev conseguiu evitar a extradição, em 2008, quando foi detido na Suécia. Na altura, até a Amnistia Internacional se opôs à extradição, argumentando que o regresso à Rússia podia significar um risco de tortura para Chatayev.

Chatayev tinha também estatuto de refugiado na Áustria. Ter-se-á tornado cidadão austríaco em 2003, depois de ter fugido da Rússia e se ter refugiado lá. O seu passaporte austríaco permitia-lhe viajar pela Europa.

O homem era conhecido por recrutar e treinar indivíduos da Rússia, e era considerado um terrorista pelos Estados Unidos.

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