O Sindicato dos Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (STEGC) considera que pode haver uma estratégia para diminuir a confiança na instituição, o que irá levar à diminuição da sua quota de mercado em benefício de outros bancos.

“As notícias que vêm a lume diminuem a credibilidade da Caixa e eliminam a confiança e os outros bancos podem abocanhar parte da quota de mercado” da Caixa Geral de Depósitos (CGD), disse à Lusa a dirigente sindical Manuela Graça.

Uma delegação do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEGC) reuniu-se esta terça-feira de manhã com o grupo parlamentar do Partido Socialista.

Segundo Manuela Graça, o encontro serviu para os trabalhadores mostrarem as preocupações que já transmitiram na semana passada ao secretário de Estado do Tesouro, Mourinho Félix, e que foram “agravadas pelas notícias vindas a público hoje com a demissão da administração” da CGD.

Os trabalhadores estão preocupados que a degradação da imagem e reputação da instituição ponha em causa a confiança dos clientes, isto além da preocupação com a saída de funcionários e das necessidades de recapitalização do banco.

“Também a questão da privatização pode estar em causa, dependendo da recapitalização”, afirmou Manuela Graça.

Na semana passada, o STEGC teve uma reunião no Ministério das Finanças para discutir a situação da CGD, na qual o secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, se mostrou “bastante preocupado com o desgaste da imagem da CGD”, segundo o comunicado da estrutura sindical.

A CGD foi esta terça-feira um dos temas principais na comunicação social, com a notícia do jornal Público de que a administração se demitiu a 21 de junho numa carta enviada às Finanças em que remetia “para o Governo a responsabilidade pela resposta à indefinição que paira há meses sobre o maior banco do sistema”. A informação foi depois confirmada pelo gabinete do ministro das Finanças.

Também esta terça-feira tomaram posse os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito ao banco público.

A CGD está num processo de mudanças, com reestruturação do grupo e alterações na equipa de gestão, que se tem atrasado devido à falta de acordo entre o Governo e Bruxelas quanto ao aumento de capital do banco, que poderá ascender a 5.000 milhões de euros.