O comércio entre a China e os países de língua portuguesa caiu 17,99% entre janeiro e abril, face ao período homólogo de 2015, indicam dados oficiais divulgados esta quarta-feira.

Segundo as estatísticas dos Serviços da Alfândega da China, publicadas no portal do Fórum Macau, as trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa totalizaram 24,33 mil milhões de dólares (22,02 mil milhões de euros) nos primeiros quatro meses do ano.

Pequim comprou aos países de língua portuguesa bens avaliados em 16,17 mil milhões de dólares (14,63 mil milhões de euros) — menos 0,53% — e vendeu produtos no valor de 8,16 mil milhões de dólares (7,38 mil milhões de euros) — menos 39,16% comparativamente aos primeiros quatro meses de 2015.

O Brasil manteve-se como o principal parceiro económico da China, com o volume das trocas comerciais bilaterais a cifrar-se em 17,30 mil milhões de dólares (15,65 mil milhões de euros), valor que traduz uma queda de 14,84% em termos anuais homólogos.

As exportações da China para o Brasil atingiram 5,92 mil milhões de dólares (5,35 mil milhões de euros), traduzindo uma diminuição de 41,73%, enquanto as importações chinesas totalizaram 11,38 mil milhões de dólares (10,29 mil milhões de euros), refletindo, em sentido inverso, uma subida de 12,09%.

Com Angola, o segundo parceiro chinês no universo da lusofonia, as trocas comerciais caíram 34,16%, para 4,69 mil milhões de dólares (4,24 mil milhões de euros).

Pequim vendeu a Luanda produtos avaliados em 467 milhões de dólares (422,5 milhões de euros) — menos 72,1% face aos primeiros quatro meses de 2015 — e comprou mercadorias avaliadas em 4,23 mil milhões de dólares (3,82 mil milhões de euros), ou seja, menos 22,44%.

Com Portugal, terceiro parceiro da China no universo lusófono, o comércio bilateral ascendeu a 1,70 mil milhões de dólares (1,53 mil milhões de euros) — mais 24,73% –, numa balança comercial favorável a Pequim, que vendeu a Lisboa bens na ordem de 1,30 mil milhões de dólares (1,17 mil milhões de euros) — mais 45,45% — e comprou produtos avaliados em 406,4 milhões de dólares (367,7 milhões de euros), menos 14,32%.

Em 2015, as trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa caíram 25,73%, atingindo 98,47 mil milhões de dólares (90,60 mil milhões de euros ao câmbio da altura), a primeira queda desde 2009.

Os dados divulgados incluem São Tomé e Príncipe, apesar de o país manter relações diplomáticas com Taiwan e não participar diretamente no Fórum Macau.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como a sua plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum Macau (Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa), que reúne ao nível ministerial de três em três anos.

A próxima conferência ministerial — a quinta desde 2003 — realizar-se-á este ano, mas ainda não há data marcada.