Rádio Observador

Euro 2016

Número a número: quem é melhor, Ronaldo ou Bale?

Cristiano Ronaldo procura a redenção de 2004, enquanto Bale e o seu "bando de irmãos" procuram a final logo na estreia. Quem tem sido melhor no Euro-2016? Os números falam...

Getty Images

Cristiano Ronaldo ou Gareth Bale. Dois campeões da Europa pelo Real Madrid em busca de mais um trono europeu, aquele que consagra carreiras. Um deles chegará à final do Campeonato da Europa de França, e só têm de ganhar ao outro. O mata-mata que permitirá a luta pela magia de vencer um Europeu decide-se esta quarta-feira, pelas 20 horas, em Lyon.

Quando os merengues contrataram o britânico, em 2013, parecia que a ideia era ter um clone de CR: grande, forte, rápido, com golo. Check, check, check, check. Tal como o Barcelona fez com Neymar e Messi. Os relatos na imprensa dizem que os dois jogadores do Real nunca se deram assim muito bem, algo que, futebolisticamente, complicou ainda mais com as decisões de Rafael Benítez, que terá dado lugar de destaque a Bale. Zidane chegou e voltou à fórmula de Carlo Ancelotti, dando ao português mais liberdade.

Olhando os números, o português fez 51 golos e 15 assistências durante o ano (Liga e Champions), enquanto o galês meteu 19 golos e fez 12 assistências. O que produzem ainda está longe, quando comparamos. No Europeu não é bem assim, mas já lá vamos.

A primeira batalha entre ambos, nada aconselhável para futuros companheiros de equipa, teve o dinheiro como protagonista. Afinal, quem foi o mais caro? Versões oficiais são complicadas de encontrar, por isso agarramo-nos aos números do transfermarkt: Ronaldo, 94 milhões de euros; Bale, 101 milhões de euros.

Uma coisa é certa, para Ronaldo, o galês é apenas o quarto melhor jogador do Real Madrid. Pelo menos foi isso que o português votou na última Bola de Ouro, colocando Karim Benzema e James Rodríguez à frente de Gareth Bale, o canhoto ex-Tottenham. Quanto a Bolas de Ouro, já agora, o português goleia: 3-0.

Chris Coleman, selecionador galês, elogiou os dois atletas na antevisão das meias-finais. “O talento é uma grande distração para as pessoas. Eu, constantemente, tenho conversas com jogadores que dizem que jogaram até um certo nível e eram brilhantemente talentosos. Mas se olharmos com mais profundidade, faltava-lhes algo: atitude, mentalidade. Com todo o seu talento, o Cristiano tem aquela mentalidade. A mesma coisa com o nosso rapaz [Gareth Bale]”, pode ler-se aqui neste artigo do The Guardian.

Os dois têm uma mentalidade especial e parece que a seleção lhes causa um peso diferente. Em Ronaldo, parece dar-lhe 300 quilos, pela responsabilidade, pelo ter de resolver, por sentir necessidade de ser o número 1 e levar um país às costas. No Real Madrid as coisas saem com uma naturalidade impressionante, fruto do talento todo que o envolve claro, mas também porque ali é a sua casa, ele dá-se bem com o divino Santiago Bernabéu.

Com Bale é o oposto. No Real Madrid parece ter perdido a graça, o protagonismo, parece sempre estar a mais ou desconfortável. Na seleção ganha vida, até pelas conferências de imprensa, pelo que diz, pelo peso que tem, pelo sentimento que promove. Vê-se o homem sorrir como nunca, como a gargalhada que deu quando lhe perguntaram sobre o microfone atirado ao lago por Cristiano Ronaldo.

Há talento, os números mostram-no. São os líderes das suas equipas. “Bale é a referência de Gales, como Ronaldo é a nossa”, confirmou André Gomes, numa conferência de imprensa recente.

No Campeonato da Europa, Gareth Bale parece estar a ser mais feliz. Ora vejamos: três golos em 443 minutos para Bale, enquanto Ronaldo marcou dois (e uma assistência) em 510 minutos. Quanto a livres diretos, uma aposta forte de ambos, que dará tinta com fartura em Espanha para a nova época, Bale tem dois golos em cinco tentativas, enquanto Cristiano tentou dez vezes e não marcou em nenhuma. Ou seja, 21% de taxa de conversão para Bale, zero para Ronaldo. Mais: Bale copiou o que Platini fez em 1984 e Hassler em 1992. Apenas estes três jogadores marcaram dois livres diretos num Europeu.

Não ficamos por aqui: Gareth Bale marcou nos três primeiros jogos, na fase de grupos. Esse feito transformou-o apenas no sétimo jogador a conseguir tal feito, a seguir a Platini, Stoichkov, Shearer, Milosevic, Baros e Ruud van Nistelrooy.

Mas Ronaldo também tem muita coisa para dizer: ultrapassou Luís Figo (127) em número de internacionalizações; ultrapassou Edwin van der Sar e Liliam Thuram em número de jogos em Europeus (16); tornou-se apenas no sétimo jogador da história do futebol a disputar quatro Campeonatos da Europa; e é o primeiro que consegue marcar em quatro edições de Campeonatos da Europa. O capitão da seleção portuguesa está somente a um golo de igualar o recorde de Michel Platini: nove golos em Europeus. O francês genial fê-lo numa só edição, em casa, em 1984.

Estes dois rapazes não brincam, ’tá visto. O que dirá uma final de um Europeu para estes jogadores? Para Ronaldo, que chorou como um menino em 2004, será a redenção, o sonho cumprido que tem: vencer com a sua seleção. Para Gareth Bale, que avisara que são um bando de irmãos que não iriam a França fazer número, seria uma estreia. E, já se sabe, para vencer…

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