O ministro do Gabinete de Segurança Institucional brasileiro, Sérgio Westphalen Etchegoyen, garantiu, a menos de um mês dos Jogos Olímpicos Rio2016, que todas as ameaças e fontes de instabilidade relacionadas com terrorismo estão a ser acompanhadas.

“Todas as possibilidades, todas as ameaças, todas as fontes de instabilidade foram identificadas, estudadas e estão sendo acompanhadas”, afirmou, em conferência de imprensa com os correspondentes estrangeiros em Brasília, frisando, contudo, que “o mundo não tem sido o lugar mais seguro”.

O governante não quis falar do trabalho das autoridades relativamente à possível fuga do terrorista sírio Jihad Ahmad Diyab, ex-presidiário de Guantánamo que foi acolhido no Uruguai como refugiado, para o Brasil, como foi alertado pela companhia aérea Avianca.

O Almirante Ademir Sobrinho, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, também presente no evento, explicou que ao perder o paradeiro desse indivíduo, o Uruguai, “por obrigação, tem de informar toda a gente”, lançando um alerta, que também inclui empresas áreas.

Porém, afirmou, não há “nenhum indício de que ele esteja no Brasil”, podendo “estar até no Uruguai”.

Ao comentar a existência de um grupo em português no serviço de mensagens instantâneas Telegram, criado pelo Estado Islâmico, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional reconheceu que existe uma “guerra psicológica” e uma “campanha dirigida para o Brasil”.

Durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, haverá um centro de informações para o evento, gerido pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), e outro centro de inteligência do serviço de estrangeiros, no qual irão participar, pelo menos, serviços de informações de 116 países.

Também presente no encontro, o ministro da defesa, Raul Jungmann, afirmou que 100% dos compromissos assumidos com o Comité Olímpico Internacional (COI) estão cumpridos.

O ministro lembrou que os jogos terão 85 mil homens envolvidos no esquema de segurança e que existem ainda reservas de contingência.

Em resposta à Lusa, referiu que os eventos de grande dimensão que têm sido organizados no Rio de Janeiro, como o campeonato do mundo de futebol em 2014, mostram que há uma “retração do crime organizado”, porque aumenta o policiamento.

O governo reconheceu, contudo, que existem dificuldades em termos de fronteiras, e que, por isso, na semana passada foi criado um comité executivo de fronteiras, com vários órgãos, desde o Ministério das Relações Exteriores à Polícia Federal.

Para fazer a segurança, haverá ainda um satélite de baixa altitude, que foi cedido pelo governo israelita, e equipas especificas para as áreas químicas e nuclear.

Os ministros agendaram o encontro com a imprensa estrangeira para afastar receios relativamente à segurança no Rio de Janeiro durante o maior evento desportivo do mundo, depois de o equipamento de uma televisão alemã ter sido roubado e uma atleta paralímpica australiana ter sido assaltada.

O próprio presidente da câmara do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou recentemente, em declarações à televisão norte-americana CNN, que o governo estatal está a fazer um “trabalho terrível” na área da segurança, mas mais tarde recuou nas declarações.

Segundo o governo, até agora está confirmada a presença de 44 líderes mundiais na abertura dos Jogos Olímpicos, mas são esperados mais.

Embora reconheça que são expetáveis manifestações políticas durante o evento, o ministro da Defesa comentou: “Quem queira aproveitar os Jogos para politizar, vai dar-se muito mal, porque isso é inaceitável”.

São esperados 10.500 atletas de 206 países no Rio de Janeiro, de 05 a 21 de agosto.