O Banco Angolano de Investimentos (BAI) vai emprestar 93 milhões de euros ao Estado angolano para a importação de alimentos para as forças de Defesa e Segurança, segundo um documento governamental a que a Lusa teve esta quinta-feira acesso.

Em causa está um despacho presidencial com data de 17 de junho, aprovando um acordo de facilidade de crédito entre a República de Angola e o BAI para “abertura, confirmação e financiamento de cartas de crédito” no valor de 103.548.125 dólares norte-americanos.

No mesmo despacho, assinado pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, é referida a “necessidade de se garantir o consumo dos efetivos das forças de Defesa e Segurança de bens alimentares indispensáveis ao cumprimento das funções básicas” destes serviços e permitindo assim que o Governo “preserve os objetivos económicos e sociais de interesse público”.

Justifica ainda a necessidade de manter a “qualidade de vida dos efetivos” daquelas forças.

Angola vive desde o final de 2014 uma forte crise financeira, económica e cambial, decorrente da quebra nas receitas com a exportação de petróleo, que fez disparar o custo dos alimentos e outros produtos básicos, provocou uma desvalorização da moeda nacional (kwanza) em cerca de 40% e limitou o acesso a importações.

Só as Forças Armadas Angolanas (FAA) contam atualmente com um efetivo de cerca de 100 mil militares, nos três ramos.