O ministro da Defesa da Colômbia disse na quinta-feira que a área de cultivo de coca no país aumentou 39% em 2015, antecipando os dados de um relatório das Nações Unidas que será divulgado esta sexta-feira.

Segundo o ministro, que citou os dados do relatório, havia 96 mil hectares com coca (a matéria-prima da cocaína) na Colômbia em 2015, quando em 2014 eram 69 mil.

Luis Carlos Villegas explicou, numa conferência de imprensa em Bogotá, que este aumento se deve “à suspensão da fumigação aérea, a fatores climáticos, fatores logísticos, ao estado de aspersão em parques naturais e à proibição muito legítima da aspersão em jurisdições indígenas e afro-colombianas”.

O Governo da Colômbia proibiu as aspersões com glifosato — um herbicida químico — em maio do ano passado, para acatar um acórdão do Tribunal Constitucional que alertava para os riscos para a saúde que representam as fumigações aéreas com aquela substância.

O ministro apontou ainda outra razão para o aumento da área de cultivo de coca: “uma falsa expetativa criada pelas FARC” em relação ao que acontecerá aos cultivadores da planta na sequência dos acordos de cessar-fogo assinados entre a guerrilha e o Governo.

Segundo Luis Carlos Villegas, o Governo de Bogotá está a executar uma série de medidas para lidar com a situação, como a substituição ou erradicação das plantações ilegais.

“No ano passado, foram erradicados 14.300 hectares e no primeiro semestre de 2016 [desapareceram] quase 11 mil das 16 mil que temos como objetivo para este ano”, afirmou.

O ministro acrescentou que espera que os recentes acordos com as FARC diminuam as plantações de coca no país.