Os Estados Unidos vão deslocar 1.000 soldados e instalar um quartel de brigada autónomo na Polónia, anunciou esta sexta-feira o Presidente Barack Obama, no âmbito do reforço do flanco oriental da NATO face à Rússia.

O contingente militar norte-americano na Polónia insere-se num projeto mais vasto da NATO e que inclui três outros batalhões liderados pelo Canadá, Alemanha e Reino Unido deslocados para os três Estados do Báltico, face ao que é definido como uma Rússia mais agressiva.

“Os Estados Unidos vão deslocar para a Polónia um batalhão, cerca de 1.000 soldados, numa missão lado a lado com os soldados polacos”, declarou Obama após um encontro com o seu homólogo polaco Andrzej Duda em Varsóvia, antes do início da cimeira da NATO.

Os soldados deste batalhão serão periodicamente substituídos em regime de rotação, à semelhança dos restantes três batalhões estacionados nos países do Báltico (Estónia, Letónia e Lituânia).

Na sequência da dissolução do Pacto de Varsóvia em julho de 1991, a NATO comprometeu-se em não estabelecer bases militares permanentes na antiga esfera de influência soviética na Europa de leste.

A criação dos quatro batalhões será um dos principais anúncios da cimeira da NATO que decorre sexta-feira e sábado, face às interrogações suscitadas pelas ambições russas após a crise ucraniana.

A brigada blindada (4.200 homens) que os norte-americanos vão deslocar por rotação em diversos países da Europa de leste a partir de 2017 terá o seu quartel-general na Polónia, precisou Obama, que também manifestou preocupação pela reforma do Tribunal Constitucional polaco, definida pelos seus críticos como uma ameaça ao Estado de direito.

“Transmiti ao Presidente Duda as nossas inquietações a propósito de certas ações e do impasse em torno do Tribunal Constitucional”, disse Obama.

“É preciso fazer mais”, prosseguiu, após ter insistido sobre o respeito pelos Estados Unidos da soberania polaca.

“Pedimos a todas as partes envolvidas para trabalharem em conjunto no apoio às instituições democráticas da Polónia”, acrescentou, citando o Estado de direito, a independência da justiça e a liberdade de imprensa.

O parlamento polaco, controlado pelos conservadores, adotou esta sexta-feira uma nova lei sobre o Tribunal Constitucional, no centro de uma batalha política em Varsóvia.

A oposição afirma que o texto vai paralisar o funcionamento do Tribunal e suprimir o controlo constitucional sobre o parlamento, dominado desde outubro pelos ultraconservadores do partido Direito e Justiça (PiS), dirigido por Jaroslaw Kaczynski.