Os EUA emitiram esta quinta-feira um “alerta de viagem” recomendando aos seus cidadãos que evitem viajar para a Venezuela devido ao crime generalizado, à escassez de alimentos e medicamentos e aos distúrbios e pilhagens.

“O Departamento de Estado adverte os cidadãos norte-americanos que o crime violento, na Venezuela, generalizou-se. Tanto na capital, Caracas, como em todo o país (…) a escassez de alimentos, de água, de medicamentos, eletricidade e outros bens básicos a nível nacional têm levado à violência e saques”, lê-se num comunicado oficial.

Segundo os EUA, “a Venezuela tem uma das maiores taxas de criminalidade do mundo e, de acordo com a organização não-governamental Observatório Venezuelano da Violência, tem a segunda maior taxa de homicídios”.

“O crime violento – incluindo o assassinato, assaltos à mão armada, sequestros e roubos de carros – é endémico em todo o país. Há narcotraficantes e grupos armados ilegais ativos nos estados de Zúlia, Táchira e Apure, fronteiriços com a Colômbia”, prossegue o texto, publicado na página na Internet do Departamento de Estado dos EUA.

O documento precisa que “os assaltos à mão armada e os crimes de rua ocorrem em toda Caracas e outras cidades, inclusive em áreas que geralmente se presume que são seguras e frequentadas por turistas”.

“Criminosos fortemente armados” atacam “em bancos, centros comerciais, estações de transporte público e universidades”, alertam os norte-americanos.

Segundo os EUA, “os comícios políticos e as manifestações podem ocorrer com pouco aviso prévio, e espera-se que venham a ocorrer com maior frequência nos próximos meses, em Caracas e em outras regiões em todo o país”.

“Longas filas para comprar bens básicos são uma ocorrência comum em todo o país e tem havido relatos de distúrbios e violência, enquanto os clientes esperam, resultando às vezes em lojas saqueadas e bloqueio de ruas. Estes incidentes provocam uma forte resposta das forças de segurança que pode incluir o uso de violência contra os participantes. Várias mortes foram registadas durante protestos”, acrescentam as autoridades dos EUA.

O comunicado recorda que existem também restrições de segurança para o pessoal do Governo norte-americano, que podem levar a embaixada dos EUA em Caracas a limitar os serviços.

“Embora a Venezuela seja signatária da Convenção de Viena sobre Relações Consulares, o Governo venezuelano, às vezes, não notifica a Embaixada dos EUA quando são presos cidadãos norte-americanos e atrasa ou nega o acesso consular aos detidos. Nos casos em que os indivíduos detêm dupla cidadania, não está garantido o acesso consular aos indivíduos detidos”, avisa ainda.