O PCP quer ouvir José Manuel Durão Barroso e Paulo Portas no Parlamento para que “deem as explicações necessárias e sejam confrontados com as suas responsabilidades” no envolvimento de Portugal na guerra do Iraque.

De acordo com o Expresso, o pedido de audição de Barroso e Portas surge depois de ter sido divulgado o Relatório Chilcot, no Reino Unido. Sir John Chilcot, responsável pelo inquérito à participação britânica na guerra do Iraque entre 2003 e 2009, concluiu que as informações que apontavam para a existência de armas de destruição maciça no Iraque — e que motivaram a intervenção militar — “eram falsas”.

“Em Portugal, Durão Barroso e o seu Governo, com a realização da ‘cimeira da guerra’ em território nacional e a cedência da Base das Lajes, foram corresponsáveis pela guerra no Iraque e pelos crimes cometidos contra o povo iraquiano. Nestes termos, face às revelações agora conhecidas e à importância do conhecimento dos dados deste Relatório, torna-se imprescindível que a Assembleia da República e, especificamente, a Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas volte a discutir esta situação, ouvindo os ex-governantes portugueses para que deem as explicações necessárias e sejam confrontados com as suas responsabilidades, nomeadamente por terem envolvido Portugal naquela guerra de agressão”, pode ler-se no requerimento do PCP.

“Não se podem lançar guerras com base em mentiras. E vemos hoje também as consequências que daí resultaram ao nível do terrorismo”, sublinhou João Oliveira, líder parlamentar comunista, ao Expresso.

Admitindo que PSD e CDS não aprovam a proposta de audição de Durão Barroso e Paulo Portas, João Oliveira acredita que o PS dará luz verde ao requerimento comunista. “Não esperamos que o PSD ou o CDS votem a favor, mas tendo em conta o histórico da discussão deste tema na Assembleia da República contamos que o requerimento seja aprovado”, diz. Ou seja, que Bloco de Esquerda e PS (sobretudo PS), aprovem o requerimento.

Durão Barroso e Paulo Portas eram primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, respetivamente, quando, em 2003, os líderes de Portugal, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, se reuniram na Cimeira das Lajes, nos Açores, para formalizarem a intervenção militar no Iraque. Nunca foram descobertas armas de destruição maciça no Iraque.