A Venezuela abriu este domingo parcialmente a fronteira com a Colômbia para permitir a passagem de peões entre o Estado venezuelano de Táchira e o Departamento Norte de Santander, que estava encerrada desde agosto de 2015.

A abertura da fronteira, entre as 6h00 horas e as 18h00 horas locais (10h30 e 22h30 horas em Lisboa) tem lugar cinco dias depois de 500 venezuelanos romperem o cordão de segurança da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) e cruzarem a fronteira em direção à cidade colombiana de Cúcuta, para comprar medicamentos e alimentos escasso na Venezuela.

Segundo as rádios locais, uma hora antes da abertura dezenas de pessoas faziam fila para poder cruzar a fronteira, na sequência um anúncio feito na última sexta-feira, por José Gregório Vielma Mora, governador do Estado venezuelano de Táchira.

“Poder-se-á abrir gradualmente a fronteira com a Colômbia e avançar a uma nova fronteira de paz, que proporcione igualdade de oportunidades para ambas nações”, disse aquele responsável, vincando que a abertura seria feita sob parâmetros claros e políticas bem definidas para combater uma série de vícios e o tráfico de produtos como a gasolina.

Na última quarta-feira, um dia depois de as mulheres cruzarem a fronteira, o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou que iria propor ao seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, a reabertura da fronteira. “Jamais vamos permitir que os nossos irmãos venezuelanos passem fome e necessidade de medicamentos”, disse a ministra colombiana de Relações Exteriores, Maria Ângela Holguin, encarregada, pela parte colombiana, de um grupo de trabalho para a reabertura da fronteira.

Em 14 de junho último, uma mulher de 44 anos morreu afogada quanto tentava atravessar um rio entre a Venezuela e a Colômbia, para adquirir com urgência um medicamento que escasseia em território venezuelano.

A ocorrência coincidiu com o fecho da fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, ordenado pelo Presidente venezuelano Nicolás Maduro e ainda com a recusa da Venezuela em receber ajuda internacional em medicamentos que, segundo fontes médicas, escasseiam em mais de 80% no país.

A vítima, residente no Estado de Táchira (oeste da Venezuela), faleceu quando pretendia chegar ao departamento colombiano de Norte de Santander e foi surpreendida por uma enchente do Rio Táchira. A 19 de agosto de 2015, Maduro ordenou o encerramento da ponte Simón Bolívar, principal passagem entre a cidade colombiana de Cúcuta e as localidades venezuelanas de San António e Ureña.

Cinco dias depois, as autoridades venezuelanas decretaram o estado de emergência em seis municípios fronteiriços com a Colômbia, justificando a medida com o combate a grupos paramilitares, ao narcotráfico e ao contrabando. O estado de emergência foi depois estendido a 20 municípios, abrangendo os estados venezuelanos de Táchira, Zúlia e parte de Apure. Desde o encerramento da fronteira, mais de 1355 colombianos foram repatriados e mais de 19 mil abandonaram a Venezuela voluntariamente, segundo fontes não oficiais.