O Barclays Capital tem dúvidas sobre se Portugal será capaz de evitar um novo resgate, porque o país “está novamente sob escrutínio apertado dos mercados” e as condições económicas “estão a virar para pior“. O crescimento da economia, diz o banco britânico, não excederá os 0,7% este ano e os 0,3% em 2017. Estes são alguns dos fatores que preocupam o Barclays Capital, juntando-se uma “crise bancária sistémica” e a “falta de um plano convincente” para equilibrar as contas públicas.

O Observador teve acesso a uma nota de análise que uma equipa de analistas do banco britânico enviou esta segunda-feira aos seus clientes. O Barclays Capital faz um retrato preocupante da situação portuguesa, notando que os riscos e desafios com que o país se defronta “colocam em questão se Portugal é capaz de resolver os problemas sem a ajuda de um novo programa“.

O principal risco identificado pelo Barclays Capital é a provável desaceleração da economia. O banco afirma que uma quebra do investimento e um abrandamento do consumo privado levará a que o crescimento em 2016 seja de 0,7%, segundo a estimativa do banco britânico.

Esta é, de longe, a previsão mais pessimista que tem sido divulgada para a economia portuguesa. No final de junho, o Fundo Monetário Internacional (FMI) baixou a sua previsão para 2016 para um crescimento de 1%. Mas pior notícia, ainda, é que o Barclays Capital prevê que em 2017 o crescimento irá quase estagnar, para 0,3%.

Caixa e BCP podem precisar de capital do Estado

Com este crescimento, a confirmar-se, o Barclays Capital prevê que o défice orçamental seja de 4,1%, contra os 4,4% de 2015, “quando incorporamos as perspetivas menos benignas [para a economia] e os custos com a recapitalização da banca. O Barclays diz que há uma “crise sistémica na banca” portuguesa, com necessidades de capital totais de 7,5 mil milhões de euros.

A Caixa Geral de Depósitos precisa de cerca de cinco mil milhões, afirma o banco britânico, “e o BCP poderá precisar de 2,5 mil milhões caso o banco não consiga cumprir os rácios de capital de forma independente”.

Além da banca, o que preocupa o Barclays em Portugal é que “o governo ainda não formulou um plano orçamental realista de consolidação orçamental a médio prazo, que seja consistente com a solvência” do país.

Para já, graças ao programa de compra de dívida do BCE, as necessidades de financiamento do Estado são “grandes, mas geríveis”. E o Barclays diz que, assim, “é possível que o país consiga evitar um novo programa“. Para isso, contudo, é preciso que aconteçam três coisas: primeiro, o BCE tem de continuar com o seu programa de compra de dívida; segundo, o rating da DBRS não pode cair;e, terceiro, “não pode surgir uma crise em Itália ou Espanha, que possa contagiar Portugal”.

Se algum destes fatores não se confirmar, “poderá gerar-se pressão suficiente para que Portugal tenha de equacionar um novo programa de resgate“. E, aí, o Barclays Capital avisa os seus clientes de que “será necessário tomar medidas de alívio da dívida, para assegurar a solvência orçamental“.

Risco de Portugal está a subir

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Os juros de Portugal continuam próximos dos 3%, mas esse valor esconde a crescente divergência que os juros de Portugal têm em relação a países como Espanha. O gráfico ilustra a diferença de ambos face aos juros da Alemanha.