A Moody’s afirma, num relatório divulgado esta terça-feira, que o impacto direto do Brexit é limitado para a maioria dos Estados da União Europeia, apesar dos efeitos na Irlanda, Bélgica, Espanha e Chipre poderem ser mais significativos.

“A maioria dos membros da UE têm exposição limitada ao Reino Unido como destino de exportações, mercado turístico ou fonte de investimento”, afirma Sarah Carlson, vice-presidente sénior da Moody’s e autora do relatório sobre o impacto económico do Brexit.

“Dito isto, a Irlanda tem de longe a maior exposição a uma saída do Reino Unido da UE. Outros países mais expostos ao Brexit são a Bélgica, pela via das relações comerciais com o Reino Unido, Espanha e Chipre, que beneficiam do turismo”, refere Carlson.

Países mais expostos ao Brexit através do turismo — Chipre, Portugal e Espanha — também têm níveis de endividamento e elevadas necessidades de empréstimos brutos para 2016.

Os países nórdicos da UE com fortes sistemas orçamentais, como a Alemanha, a Holanda e a Suécia são os mais bem posicionados para aguentar qualquer pressão, mas provavelmente deverão pagar contribuições mais elevadas para a UE nos próximos anos tendo em conta que a saída do Reino Unido levará a uma perda de receitas.

Em relação às relações financeiras e empresariais, a Moody’s refere que prevê pequenos e graduais ganhos de realocação e largamente dependentes dos ambientes de negócios de cada país da UE.

Chipre, Irlanda, Luxemburgo e Holanda são os países mais integrados com a economia britânica em termos de serviços financeiros, adianta a empresa.

A Moody’s sublinha que o Brexit pode ter impacto negativo na coesão da UE a longo prazo, apesar de defender que uma fragmentação da UE continua atualmente a ser uma hipótese remota.

O Brexit também pode fomentar movimentos contra a UE a curto prazo, particularmente em países com eleições marcadas para os próximos 18, 24 meses, influenciando potencialmente o tom e o conteúdo do debate político, bem como as opções políticas, refere a Moody’s.