A Polícia Judiciária de Macau revelou esta terça-feira que os crimes relacionados com o jogo continuaram a aumentar nos primeiros cinco meses do ano, com destaque para os “sequestros” e a “usura”.

Foram 660 os inquéritos e denúncias relacionados com crimes ligados ao jogo que passaram pela PJ entre janeiro e maio, um número superior em mais de 15% aos 571 do mesmo período do ano passado. Em 2014, haviam sido 463, nos mesmos meses.

Os maiores aumentos são os casos de “sequestro associado à usura destinada aos jogos” (que foram 169 entre janeiro e maio, depois de terem sido cem no mesmo período de 2015 e 21 em 2014) e os casos de “usura relacionada com os jogos” (que passaram de 71 nos primeiros cinco meses de 2014 para 108 em 2015 e 179 este ano).

Já na criminalidade geral, o número de inquéritos e denúncias nos primeiros cinco meses do ano teve pouca variação em relação a 2015.

“A segurança da comunidade de Macau foi basicamente estável”, apesar do “ajustamento económico”, que tornou “inevitável que certas influências se repercutissem no ambiente de segurança e causassem alguma pressão no trabalho policial”, disse o diretor da PJ de Macau, Chau Wai Kuong, num jantar de comemoração do aniversário da Polícia Judiciária.

Chau Wai Kuong reiterou esta terça-feira que o crime associado ao jogo se circunscreve aos casinos e que a maioria dos autores não reside em Macau, pelo que não afeta a segurança da população da cidade. Esta é uma mensagem que já havia transmitido, assim como o Governo da região, há alguns meses, quando foram divulgados os dados da criminalidade de 2015 e que revelaram um aumento de 38% dos crimes relacionados com o jogo.

“Embora o ajustamento da receita dos jogos [em queda há dois anos] não tenha causado qualquer problema grave de segurança, a PJ está pronta para qualquer situação de crise, fazendo o ajustamento das disposições policiais e tomando a iniciativa na investigação de crimes relacionados com os jogos”, assegurou.

“A PJ vai manter a monitorização das situações internas e externas dos casinos, o destacamento dos agentes nos casinos durante 24 horas, bem como a coordenação estreita com os departamentos de segurança e fiscalização dos casinos”, acrescentou.

Chau Wai Kuong disse ainda que a Judiciária tem dado “alta atenção à tendência e mudanças nos crimes relacionados com o jogo e de estupefacientes”, que também têm aumentado no último ano.

“Em muitos casos, [estes dois tipos de crime] foram praticados em forma transfronteiriça, organizada, cada vez mais ocultada e com recurso à alta tecnologia”, pelo que “a PJ reforçou a colaboração policial e troca de informações com a China continental, Hong Kong, Singapura e outras regiões”, afirmou.

A PJ “também intensificou a fiscalização de atividades na rede [Internet]”, acrescentou.