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Astrofísica

Supernovas tiveram impacto na atmosfera e na biologia da Terra

Um estudo refere que duas supernovas a cerca de 300 anos luz da Terra podem ter sido responsáveis por mudanças na atmosfera e na biologia do planeta, por causa da luz e da radiação.

Animação da NASA que exemplifica a explosão de uma supernova

NASA

Autor
  • Elsa Araújo Rodrigues

Duas supernovas distantes podem tido um impacto na atmosfera e na biologia da Terra no período temporal compreendido entre 1,7 a 6,5 e 3,2 milhões a 8,7 milhões de anos atrás, refere um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

A supernova é uma grande explosão causada pela morte de uma estrela, quando o corpo celeste consome todo o combustível do seu núcleo e entra em colapso. A explosão provoca a formação de massas de gás e poeira conhecidas como nebulosas. A radiação produzida por estas explosões pode ter contribuído para as alterações climáticas na Terra, concluíram os investigadores com base em cálculos produzidos por modelos de computador.

A exposição de longa duração a essa radiação cósmica provocou várias mudanças biológicas e também na atmosfera terrestre — “efeitos substanciais sobre a atmosfera terrestre e biota”, escrevem os cientistas — que podem ter levado a extinção de pequena escala de espécies no final da era do Plioceno e do início do Pleistoceno, refere o site de divulgação científica EurekAlert!.

“Fiquei surpreso ao ver o efeito que [as supernovas] poderiam ter. Esperava que o impacto fosse muito reduzido porque as supernovas estavam realmente muito distantes — a mais de 300 anos-luz — e isso não é realmente muito perto”, disse Adrian Melott, professor de física na Universidade de Kansas e co-autor do estudo.

Estas explosões teriam causado uma intensa luz azul no céu noturno, brilhante o suficiente para perturbar os padrões de sono dos animais por algumas semanas. Mas a radiação terá tido mais efeitos sobre os animais que a luz. Segundo o astrofísico da Universidade do Kansas os níveis de radiação seriam equivalentes aqueles que cada uma das criaturas que habitasse o planeta (incluindo as das profundezas do oceano) teria sofrido se tivesse feito uma tomografia computadorizada (TAC) por ano.

“A grande questão acaba por ser os raios cósmicos. Os raios cósmicos de elevada energia são raros e aumentaram consideravelmente com as explosões. No período de centenas de milhares de anos, a sua incidência foi multiplicada por cem. Os raios cósmicos de elevada energia são os que podem penetrar a atmosfera e rasgam moléculas, eletrões de átomos, e podem chegar até ao nível do solo. Normalmente, isso só acontece apenas em altitudes elevadas”, explicou Adrian Melott.

Esta exposição aos raios cósmicos há cerca de 2,59 milhões de anos pode ter ajudado a arrefecer o clima da Terra. “Houve uma mudança climática por volta dessa época. África conheceu um período de seca e as florestas transformaram-se em savanas. Mais ou menos a partir desta altura começaram as glaciações [períodos de frio intenso — eras do gelo — quando a temperatura média da Terra baixou] e ainda não é claro porque é que isso aconteceu. É uma ideia controversa, mas os raios cósmicos podem ter tido alguma influência nisso”, admite o astrofísico.

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