Até que ponto é que a angústia e as perturbações mentais influenciaram o trabalho do pintor é o que tenta explicar uma nova exposição, no Museu Van Gogh, em Amesterdão. Pinturas, cartas e até o revólver utilizado pelo pintor para se suicidar são elementos revelados a todos aqueles que procurarem saber mais sobre os últimos meses de vida do artista. Tudo isto até 25 de setembro na capital holandesa.

Cerca de um ano antes de morrer, Van Gogh cortou a orelha esquerda. Foi um estado de loucura ou de desespero que o terá levado a cometer tal ato? É uma das questões abordadas numa exposição onde também serão revelados mais pormenores sobre esta mutilação com a apresentação de um livro da investigadora Bernadette Murphy, Van Gogh’s Ear: The True Story.

Existe uma carta do médico Félix Rey (ver galeria) que tratou de Van Gogh logo após a mutilação num hospital em Arles, localidade no sul de França. Este documento, que contém esboços do próprio pintor, foi encontrado na biblioteca de Bancroft, nos EUA, e emprestado agora ao museu de Amesterdão. É a prova definitiva para pôr termo às eventuais dúvidas quanto à extensão dos danos autoinfligidos. É possível ver que a mutilação foi quase total.

[veja aqui a história desta carta]

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Em declarações ao The Art Newspaper, o curador da exposição “À Beira da Loucura: Van Gogh”, Nienke Bakker, sublinha que o trabalho de Van Gogh “não deverá ser visto como um produto da sua doença; antes, devemos ter em consideração que o artista pintou apesar da sua doença”.

Mesmo à luz de relatos da época, não se consegue fazer um diagnóstico definitivo a Van Gogh. Por isso, a exposição demonstra várias hipóteses médicas que explicariam o tormento pelo qual passava o artista.

Certo é que Vincent Van Gogh não colocava a hipótese de ser tratado num asilo, mas a doença levou a melhor e acabou por suicidar-se em 1890, aos 37 anos. A arma utilizada pelo artista está também na exposição que se foca mais nos últimos 18 meses de vida do pintor.

Entre a história e os artefactos é possível olhar para o pintor com mais admiração. E o revólver que Van Gogh utilizou não será apenas para satisfazer a curiosidade mórbida, mas para criar uma dimensão mais real de um artista reconhecido por todo o mundo. Terá sido um agricultor quem lhe deu a arma, nas traseiras da casa do pintor em Auvers-sur-Oise, perto de Paris.

O revólver está corroído pelo tempo, mas ainda se encontra destravado. Como que a lembrar que Van Gogh não foi só torturado pela sua mente. Morreu em agonia, à espera que o ferimento provocado pela bala o acabasse por matar, 30 horas depois de ter disparado.