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Não há base para a tese de que dois militares morreram a tentar salvar um camarada no acidente de segunda-feira com o um Hércules C-130, na Base Aérea do Montijo, segundo a Força Aérea Portuguesa (FAP). Nem sequer houve um “reporte de emergência” a partir do cockpit. O ramo desmente as notícias que relacionavam a morte de dois dos tripulantes com a tentativa de salvar o comandante da aeronave que teria ficado preso num banco. O acidente vitimou três dos sete militares que iam a bordo. A FAP explicou, esta quarta-feira, em comunicado, que quem saiu do avião não voltou a entrar:

Os quatro militares que conseguiram sair da aeronave após a sua imobilização fizeram-no pelos seus próprios meios, não tendo, em qualquer momento, regressado ao avião. Foi posteriormente confirmada a presença das três vítimas mortais no interior da aeronave”.

O Correio da Manhã avançava, na edição de hoje, que dois dos tripulantes (capitão André Saramago e sargento Amândio Novais) tinham morrido ao tentar salvar o tenente-coronel Fernando Castro, que comandava aquele voo de qualificação. Nos relatos que terão realizado para o inquérito que vai apurar as causas e circunstâncias do acidente, os sobreviventes parece terem negado que tal tivesse acontecido. “O acidente ocorreu durante uma missão de treino para qualificação da tripulação, ainda na corrida de descolagem, sem que esta se tenha verificado”, informa o comunicado da FAP. E concretiza: “Da parte da tripulação, não houve reporte de qualquer situação de emergência. A aeronave imobilizou-se fora da pista, incendiando-se de imediato, o que resultou na sua perda total.”

A FAP também não confirma que o acidente se deu por “uma falha de potência nos motores” — como noticiou o Correio da Manhã — e considera especulativa qualquer informação sobre avarias mecânicas antes de ter conclusões do inquérito que está a ser realizado. O que se sabe até ao momento, sublinha fonte oficial da FAP, é que houve um descontrolo na descolagem que levou o C-130 a ficar imobilizado na pista. “As questões de natureza técnica avançadas por alguns Órgãos de Comunicação Social como causa do acidente têm, neste momento, caráter especulativo, na medida em que, da investigação em curso, não resultou ainda qualquer conclusão neste âmbito”, avança o mesmo comunicado.

Como era um voo de qualificação entre a Base Aérea do Montijo e a de Beja, o formador — o tenente-coronel Fernando Castro — estaria sentado no lugar do co-piloto. Quem estava no lugar do piloto era um dos sobreviventes, que estava a receber formação. Três dos sobreviventes tiveram alta na terça-feira à noite. Só ficou internado um militar, que está fora de perigo, mas com prognóstico reservado. Ainda não é conhecida a data das cerimónias fúnebres, o que está dependente da libertação dos corpos após as autópsias que deveriam ser realizadas esta quarta-feira.

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