França está em peso contra a ida de José Manuel Durão Barroso para o lugar de topo do maior banco de investimento americano Goldman Sachs. Depois de Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros e ex-ministro francês, ter criticado a falta de “ética” da decisão, agora foi a vez do secretário de Estado francês para os Assuntos Europeus, Harlem Désir, classificar de “escandalosa” e de afirmar mesmo que o ex-presidente da Comissão Europeia não devia aceitar o cargo.

“É um erro de Durão Barroso e o pior serviço que um antigo presidente da Comissão pode fazer ao projeto europeu num momento da história em que este precisa de ser apoiado e fortalecido”, disse Desir numa intervenção feita esta quarta-feira no Parlamento francês.

Segundo o jornal francês Libération, o governante disse mesmo que “o senhor Barroso fez a cama dos antieuropeus” e apelou, por isso, “solenemente”, a que “abandone esse cargo”. E apelidou a contratação de “particularmente escandalosa”. Para evitar situações semelhantes associadas a conflitos de interesses, Harlem Désir defendeu que a Comissão deve apertar as regras sobre as incompatibilidades dos líderes europeus quando saem dos cargos,

“O presidente da Comissão Europeia deve estar acima das pressões de interesses privados e as restrições sobre a contratação por uma empresa privada devem ser alargadas”, disse o governante francês.

Atualmente os ex-comissários têm de obedecer a um período de nojo de 18 meses para aceitarem outros cargos e evitarem conflitos de interesses. Durão Barroso deixou o seu cargo no topo da instituição europeia há precisamente 20 meses, ou seja, dois meses depois do período delimitado.

Durão Barroso assumiu a presidência da Comissão Europeia em 2004, tendo permanecido dez anos à frente da instituição, até 2014. No passado dia 8, o maior banco de investimento norte-americano anunciou que o ex-primeiro-ministro português ia trabalhar na subsidiária Goldman Sachs International (GSI), em Londres, como chairman e consultor.

As críticas, desde aí, aumentaram de tom. Esta quarta-feira Pierre Moscovici levantava questões éticas e exigia uma maior reflexão da parte do ex-presidente da Comissão, e antes já tinha afirmado que a decisão era “legítima mas chocante”.