A ‘holding’ norte-americana AMC Entertainment, detida pelo Grupo Wanda, do magnata chinês Wang Jianlin, anunciou a compra do grupo britânico de Odeon & UCI Cinemas, presente no mercado português, onde é o segundo maior exibidor.

A transação ascende a 921 milhões de libras (perto de 1,091 mil milhões de euros), segundo os números avançados pelas agências internacionais de notícias, e prevê a aquisição do grupo britânico que detém 242 cinemas e 2.236 ecrãs (salas), no mercado europeu.

O presidente executivo do grupo AMC, Adam Aron, que anunciou os termos do acordo definitivo, para a compra do Odeon & UCI Cinemas, disse à imprensa que o negócio foi facilitado pela desvalorização da libra, no contexto do Brexit.

Em Portugal, a UCI Cinemas detém 45 salas e um total de 9.279 lugares, repartidas pelo UCI El Corte Inglés, o Dolce Vita Tejo e o Arrábida Shopping, tendo obtido uma receita bruta de bilheteira de 8,053 milhões de euros, em 2015, com 68.732 espetadores, o que corresponde a perto de 11 por cento do mercado português de exibição (75,012 milhões de euros), sendo suplantada apenas pela NOS Audiovisuais (46,655 milhões, no mesmo período).

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As cadeias Odeon & UCI Cinemas foram adquiridas pelo fundo de capital de risco Terra Firme, do financeiro britânico Guy Hands, em 2004, por um total de mil milhões de euros (Odeon, por 650 milhões; UCI, por 350 milhões).

O atual acordo com o fundo Terra Firma prevê um pagamento inicial de 595 milhões de euros, em dinheiro e ações, pela AMC, que assumirá depois, uma dívida de 484 milhões de euros.

O grupo AMC Entertainment Holdings constitui a segunda maior rede de cinemas nos Estados Unidos e, com a compra do grupo europeu, espera formar uma das principais redes de exibição a nível mundial.

A AMC foi comprada pelo Grupo Wanda em 2012, por 2,6 mil milhões de dólares (2,346 mil milhões de euros, na atual cotação). No passado mês de março, segundo a France Presse, alargou a sua rede de 5426 salas, nos Estados Unidos, para um total de 8380, com a compra das 2954, do grupo norte-americano Carmike.

Na China, o grupo detém mais de 200 centros comerciais e, no passado mês de maio, inaugurou o primeiro de vinte parques temáticos com que pretende derrotar a Disney, até 2020, como referência mundial neste setor.

O presidente do conselho de administração do grupo Wanda, Wang Jianlin, aparece na 37.ª posição das 50 pessoas mais influentes do mundo, do ‘ranking’ da agência de informação financeira Bloomberg.

Além da atividade empresarial, Wang Jianlin serviu o exército chinês, de 1970 e 1986, e foi deputado do Partido Comunista, no Congresso.

Com atividade na área financeira, cultural e imobiliária, o grupo Wanda era, no final do ano passado, o maior proprietário em todo o mundo com um portefólio de 133 edifícios e 84 hotéis, com uma área total superior a 26 milhões de metros quadrados.