Enquanto o PS está a centrar o seu pedido de audições sobre a gestão da Caixa Geral de Depósitos nos responsáveis políticos do anterior Governo (de 2011 até hoje), o PSD optou por apresentar um extenso requerimento onde pede a audição de 43 personalidades, todas ligadas direta ou indiretamente ao banco público desde 2000 até aos dias de hoje. De membros da direção da Caixa a auditores, passando por supervisores e agentes políticos, os sociais-democratas querem ouvir no Parlamento todos os ex-ministros das Finanças dos últimos 16 anos: de Guilherme d’Oliveira Martins a Mário Centeno.

“Nós não deixamos ninguém de fora, não olhamos a partidos políticos nem a conexões políticas, por isso fomos verdadeiramente transparentes nos pedidos de audição que fizemos”, disse aos jornalistas o deputado e coordenador do PSD na comissão de inquérito da CGD, Hugo Soares, “frisando bem” que o conjunto alargado de audições que os sociais-democratas solicitam envolve um período temporal de 16 anos — “de 2000 até à atualidade”.

No leque de 43 personalidades que o PSD quer ouvir incluem-se os últimos oito ministros das Finanças portugueses: Guilherme d’Oliveira Martins, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Campos e Cunha, Teixeira dos Santos, Vítor Gaspar, Maria Luís Albuquerque e Mário Centeno. Para além dos intervenientes políticos, o PSD quer ainda ouvir responsáveis da Comissão Europeia, do BCE, do Banco de Portugal (atuais e ex-governador e vice-governador), assim como todos os presidentes, administradores e dirigentes da Caixa Geral de Depósitos desde o ano 2000, onde se incluem nomes como Armando Vara, Mira Amaral ou António Nogueira Leite.

Além dos pedidos de audições, PSD deu ainda entrada com um requerimento para propor que a comissão de inquérito promova a realização de uma auditoria externa e independente à Caixa Geral de Depósitos, voltando desta forma à carga com o pedido que já foi travado pela Assembleia da república quando a comissão de inquérito ainda não tinha assumido funções. O objetivo, lê-se no requerimento, é “avaliar as efetivas necessidades de capital e de injeção de fundos públicos” na Caixa, assim como “apurar as práticas da gestão da Caixa no domínio da concessão e gestão de crédito desde o ano de 2000.

Entre os pedidos de documentação, o PSD quer ter acesso a todos os relatórios do banco público desde 2000, nomeadamente às listas com todas as operações de capital e transferência de dinheiros públicos que se desencadearam desde essa data, assim como às listas de todas as operações público-privadas em que a Caixa esteve envolvida e à identificação de todas as operações desenvolvidas no estrangeiros. São ao todo 32 pedidos de acesso a documentos.

A comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos reúne amanhã para deliberar e votar os requerimentos apresentados até esta sexta-feira pelos grupos parlamentares. Em cima da mesa está ainda o pedido de audição de Carlos Costa, Mário Centeno e José de Matos (presidente demissionário da CGD) ainda neste mês de julho, antes das interrupções para férias.