“Queres casar comigo?” pergunta João, ajoelhado com um anel de noivado na mão. “Sim” responde Ângela, surpreendida, antes de abraçar o futuro marido. São ambos açorianos. Ele, da Ribeira Grande, ela de Ponta Delgada. Namoram há quase seis anos e conheceram-se na faculdade, no curso de Biologia, que frequentaram juntos. Até aqui tudo normal, não fosse o pedido de casamento ter sido feito a muitas dezenas de metros do chão dentro de um balão de ar quente.

“Já tínhamos a ideia de casar um dia e eu pensei que seria a oportunidade perfeita para a pedir em casamento. Queria fazer algo original e havendo o festival de balões pensei que seria interessante falar com a organização e tentar a minha sorte”, explicou João.

E teve sorte. Voaram à boleia de uma equipa da República Checa que participa no II Festival Rubis Balões de Ar Quente nos céus da Ribeira Grande, concelho açoriano que recebe o evento até 17 de julho.

Às 6h30 da manhã o cenário para a surpresa do João começava a ganhar forma. Os quatro checos, pela primeira vez em Portugal, preparam o balão como sempre o fazem há cerca de 20 anos. Estendido na vegetação ao longo de vários metros, o balão cor de laranja começa a encher-se com o ar soprado por uma ventoinha enorme. Depois de aquecido o ar, as leis da física encarregam-se do resto e o balão deixa o descampado verde em direção ao céu.

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A vida é diferente vista de cima e tudo parece de brincar. De baixo para cima o entusiasmo parece ser semelhante quando alguém acena com a bandeira nacional e berra com todos os pulmões e mais algum por Portugal, ainda na ressaca da conquista inédita da seleção nacional em França.

Apesar do tempo nublado e da humidade elevada, as condições para o voo eram excelentes, mas João, que confessou ser “pouco radical”, estava um pouco receoso. Lá em baixo eram os cães que estavam receosos e ladravam à passagem dos nove balões que fizeram o voo inaugural do festival.

Pavel e Krystina, os pilotos checos, gostam da paisagem e também aproveitam para tirar fotografias antes de planearem o local da aterragem, perto de uma zona industrial. Filip e Tomas, a outra metade da equipa, seguem o balão em terra pelas estradas da Ribeira Grande até ao local previsto para ajudar na aterragem.

A experiência durou quase uma hora. Por essa altura, já Ângela e João estavam noivos e prestes a começar uma experiência ainda maior.