O acordo de comércio que está a ser negociado entre a União Europeia e os Estados Unidos pode atenuar os efeitos negativos da saída do Reino Unido do bloco europeu, afirmou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

“O TTIP (sigla inglesa pela qual é conhecido o acordo de parceria e investimento UE-EUA) assume uma importância significativa, pois trata-se de um grande mercado” e o tratado “pode servir de contrapeso aos efeitos negativos associados ao acordo que vai ser negociado entre o Reino Unido e a União Europeia”, defendeu Kerry, numa conferência de imprensa em Bruxelas, ao lado da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

John Kerry lamentou os comentários negativos de alguns setores da sociedade civil e do mundo político europeus sobre o acordo, que está na 14.ª ronda negocial e que visa criar a maior zona de comércio livre do mundo.

“Desenvolveu-se uma certa mitologia em torno” desse acordo, comentou o responsável norte-americano, sublinhando que “vai criar empregos, protege os interesses [dos europeus], os seus direitos em matéria de regulação e a sua capacidade de respeitar os direitos laborais e o ambiente”.

Kerry, que se encontrou também com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28, adiantou que tenciona voltar no próximo mês, para falar em vários locais e “apresentar factos para que as pessoas compreendam o lado positivo” e a importância para dinamizar a economia “de que a Europa precisa”.

No balanço que fez, na sexta-feira, sobre a última semana de negociações, o líder dos negociadores europeus, Ignacio Garcia Bercero, assegurou que houve um avanço dos dois blocos, apesar do choque provocado pelo ‘Brexit’.

O seu homólogo norte-americano Dan Mullaney reconheceu, no entanto, que a “saída do Reino Unido [iria] afetar o valor do mercado europeu”.