O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, e o ministro das Finanças grego, Euclides Tsakalotos, disseram esta segunda-feira esperar que a segunda avaliação do resgate à Grécia termine antes do fim do ano.

Moscovici encontra-se em visita oficial à Grécia e reuniu-se durante a manhã com o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, e vários membros do governo, incluindo Tsakalotos.

O ministro das Finanças salientou que “é necessário resolver o assunto em dezembro” e Moscovici confirmou o apoio da Comissão Europeia.

“Estamos de acordo que devemos concluir a segunda fase das reformas para concluir igualmente e logo que possível a segunda avaliação”, disse Tsakalotos.

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A segunda avaliação ao terceiro resgate, concedido à Grécia no verão passado, só deverá começar formalmente em setembro e no centro desse processo vai estar a reforma laboral.

“A ideia não é restringir os direitos dos trabalhadores, a ideia é criar um marco que melhore a competitividade e permita a mais pessoas entrar no mercado laboral”, afirmou Moscovici, que disse que a aprovação do próximo pacote de medidas é “muito importante” e é necessário que “envolva todos os partidos, parlamento e agentes sociais”.

O comissário apontou os “sacrifícios” feitos pelo “povo grego” para estabilizar a situação, indicou “a reforma fiscal e a reforma das pensões” e assegurou o apoio europeu “para que a Grécia volte aos mercados”.

Moscovici disse que “o acordo do ano passado confirmou a permanência da Grécia na zona euro” e disse que não se deve permitir que haja recuos, o que pode “pôr em perigo as reformas” que “precisam de tempo para dar frutos”.

Euclides Tsakalotos disse que durante a reunião foram debatidos temas fundamentais para o governo grego, como a relação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), um possível alívio da dívida grega e a questão do excedente primário.

Os europeus não querem rever o objetivo do excedente de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2018 e estão relutantes em relação a um alívio da dívida.

O FMI afirma que sem uma redução desse objetivo e um alívio da dívida Atenas não estará em condições de cumprir e, por isso, ainda não decidiu se participa neste terceiro resgate.

“Não é o momento de reiniciar o debate sobre o excedente primário”, afirmou Moscovici, acrescentando que se for possível chegar a acordo até ao fim do ano, “pode ser estudada a questão da dívida também a médio prazo”.