A União Europeia (UE) vai “acompanhar muito de perto” a situação na Turquia, sobretudo à luz das declarações “preocupantes” do Presidente Recep Erdogan, afirmou em Bruxelas a secretária de Estado dos Assuntos Europeus.

Margarida Marques, que representa Portugal na reunião de chefes de diplomacia da UE – em virtude da deslocação do ministro Augusto Santos Silva a Moscovo -, disse aos jornalistas que a Turquia foi “um ponto importante” do pequeno-almoço de trabalho, que contou também com a participação do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, tendo os 28 manifestado preocupação com os últimos desenvolvimentos no país, na sequência da tentativa de golpe de Estado na passada sexta-feira.

“A questão da Turquia para nós é uma questão que interessa acompanhar muito de perto, sobretudo depois das declarações do presidente Erdogan. Manifestámos a nossa preocupação pela evolução dos direitos fundamentais, das liberdades fundamentais, do Estado de Direito na Turquia, e manifestámos preocupação pelo número elevadíssimo de pessoas detidas a seguir ao golpe”, apontou a secretária de Estado.

Margarida Maques disse que os chefes de diplomacia sublinharam, por um lado, que, sendo a Turquia candidata à adesão à UE, “deve respeitar os critérios de Copenhaga”, a nível de direitos, liberdades e estado de direito; e por outro lado, a “preocupação pela ideia que começa a surgir de reintroduzir a pena de morte” no país.

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“O que nos preocupa fundamentalmente são as declarações políticas que temos ouvido relativas ao Estado de Direito e à possibilidade de reintrodução da pena de morte”, muito longe daquilo que são os valores europeus, assinalou.

A secretária de Estado disse que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE concordaram que é necessário acompanhar a situação “de forma sistemática” também à luz do “acordo entre UE e Turquia para ajudar problema dos refugiados” e das negociações sobre a liberalização de vistos.

“São dois assuntos que acompanharemos muito de perto dada a nova realidade e dadas as declarações que temos ouvido na Turquia”, asseverou, acrescentando que as mesmas deixam “mais preocupação”.