O selecionador nacional Fernando Santos, acompanhado pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol [FPF], Fernando Gomes, falou na Cidade do Futebol, em Oeiras, sobre a sua renovação de contrato até 2020. E as primeiras palavras do selecionador foram precisamente dirigidas ao presidente da FPF.

É uma enorme satisfação estar aqui hoje. E é uma satisfação estar aqui durante mais quatro anos. Quero agradecer a confiança que me foi transmitida pelo presidente Fernando Gomes. Ele é uma pessoa com uma liderança muito forte, muito presente, e isso foi constante ao longo destes dois em que convivemos, nas conversas que fomos tendo”, recordou.

Essa amizade entre os dois foi fundamental na hora de acertar a renovação. Um “acerto” que se fez ainda em França, durante o Euro 2016, quando Portugal estava longe de ser finalista — e pairavam muitas dúvidas sobre o futuro da Seleção na prova. “Nós acordarmos que depois do Euro voltaríamos a falar sobre renovação. Mas logo a seguir ao jogo da Áustria, quando muitos balançaram quanto ao nosso valor, o presidente viajou connosco às cinco da manha até Marcoussis e disse-me ao ouvido, quando chegámos ao hotel: ‘Não te esqueças que eu conto contigo para os próximos quatro anos.'”

Depois, foi só esperar pelo fim do Euro — e, sobretudo, pelo fim da euforia que o Euro trouxe — para colocar tudo preto no branco. “Ele foi claro e inequívoco ao dizer que contava comigo. A renovação teve o processo normal que as renovações têm. Como estávamos ambos de férias no Algarve, combinámos que aí íamos ter uma conversa formal. Antes, era preciso desfrutar da emoção muito forte que vivemos quando chegámos em Lisboa. Sentamo-nos em casa esta semana, tomámos um café, e chegámos a um acordo. Foi fácil”, explicou o selecionador.

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E as propostas tentadoras que chegaram da China? Fernando Santos nem as quis ouvir. “Nunca aceitaria falar com quem quer que fosse tendo eu chegado a um compromisso com o presidente. O meu único contacto foi com ele”, garantiu.

Na Cidade do Futebol, Fernando Santos, visivelmente bem-disposto, falou também dos objetivos para os próximos anos. Terá pela frente uma Taça das Confederações, um Mundial e a defesa do título europeu, precisamente em 2020, quando o contrato termina. “Objetivos? Não me foi pedido nada. O presidente sabe que os meus objetivos estão traçados desde o primeiro dia e a palavra-chave é e será sempre uma: ganhar. E vamos trabalhar, trabalhar e trabalhar para isso. Quando aqui cheguei também não me pediram objetivos. Confiaram em mim. Não vai ser diferente agora”, atirou.

Bem, diferente será sempre. Afinal, Fernando Santos é campeão da Europa e isso trará sempre pressão. Desde logo em 2017, na Taça das Confederações que se disputará na Russia. Mas o selecionador insiste: pressão, não, nenhuma. “Não há pressão nenhuma de vencer. Já não tenho idade para isso. As panelas de pressão é que têm disso. [Risos] O que eu tenho — nós temos — é responsabilidade. E isso temos desde o primeiro dia. A vitória no Europeu não nos dá nenhum estatuo diferente. Somos os campeões, ponto. Mas isso não nos dá estatuto, presunção ou pressão. Medo? Se tivesse medo já não estava aqui. Além disso tenho quatro cães. Se tivesse medo vinha para a conferência de impresa com eles”, gracejou Fernando Santos, abraçando depois o presidente da FPF.

Ah, é verdade: já avisou a mulher se só volta a Portugal depois do Euro 2020 terminar? “Ela sabe que sim. Que vou chegar tarde…”