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Mario Draghi concorda com a análise do FMI de que a banca de Itália e Portugal têm problemas graves para resolver e são um risco para a estabilidade financeira. Mas o presidente do Banco Central Europeu passa a bola para Bruxelas quando questionado sobre deve ser possível injetar dinheiros públicos nos bancos sem desencadear as novas regras europeias que obrigam, antes, a perdas para os investidores e aforradores.

Na conferência de imprensa após mais uma reunião do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi não se alongou em comentários sobre a situação da banca mas concordou que a exposição de alguns bancos a créditos em risco (que não produzem rentabilidade) é uma ameaça. Quanto à solução para este problema, Mario Draghi disse que o assunto não foi discutido de forma aprofundada na reunião mas lembrou que existe flexibilidade nas regras para, “em situações excecionais”, não aplicar as regras de ajudas de Estado e as novas regras da recapitalização bancária.

O que não é recomendável, diz Draghi, é que haja uma venda descontrolada (“fire sale“) destes ativos. “Há um interesse em resolver este problema o mais rapidamente possível”, afirmou Mario Draghi, numa alusão à exposição dos bancos ao crédito malparado e outros ativos que pesam nos seus balanços e penalizam o capital.

Quem tem de decidir sobre se essa flexibilidade deve ser usada ou se as regras têm de ser cumpridas à risca é a Comissão Europeia, sublinhou Mario Draghi. Numa resposta posterior, o presidente do BCE defendeu que “em circunstâncias excecionais” é admissível ter um mecanismo público para ajudar os bancos a escoarem os créditos em risco. Esta é a análise do BCE à instabilidade que se tem vivido nos últimos meses na banca europeia, especialmente na italiana e portuguesa.

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A pouco mais de uma semana da divulgação de testes de stresse à banca europeia, Mario Draghi garantiu que “a solvência dos bancos não é um problema, mas a rentabilidade é”.

Quanto às questões relacionadas com a política monetária, Mario Draghi indicou que é necessário mais informação sobre o que se passa na economia e no sistema financeiro da zona euro. Ainda assim, o presidente do BCE deixou claro que “se for necessário” o programa de compra de dívida poderá ser alargado além de março de 2017, mas não deu quaisquer detalhes sobre eventuais mexidas técnicas no programa que ajudem a garantir que o BCE consegue comprar todos os ativos que se propõe comprar.

Mario Draghi afirmou, ainda, que a banca da zona euro demonstrou uma “resiliência encorajadora” ao resultado do referendo britânico que deverá ditar a saída do Reino Unido da União Europeia.