Angola registou 57 novas situações suspeitas de febre-amarela na segunda semana de julho, mas os consecutivos indicadores semanais da Organização Mundial de Saúde (OMS) demonstram que a epidemia tem um número decrescente de casos. Segundo o mais recente relatório da OMS, que está a apoiar o combate à epidemia e a tentar travar o seu alastramento, foram contabilizados até 15 de julho 3.682 casos suspeitos de febre-amarela em Angola, contra os 3.625 da semana anterior e os 3.552 contabilizados até ao final de junho.

O relatório, a que a Lusa teve acesso neste sábado, refere que deste total, 877 foram laboratorialmente confirmados como casos de febre-amarela. Desde 05 de dezembro há igualmente registo de 361 mortes atribuídas à epidemia de febre-amarela, mais quatro casos no espaço de uma semana. A epidemia teve início em Viana, arredores de Luanda, mas as autoridades de saúde angolanas já contabilizam casos suspeitos, e com propagação local, em todas as províncias do país.

De acordo com a OMS, Angola já recebeu cerca de 14 milhões de vacinas contra a febre-amarela e vacinou mais de 11 milhões de pessoas desde fevereiro, numa população-alvo estimada em 24 milhões. Aquela organização das Nações Unidas assumiu a 19 de junho que a resposta à epidemia de febre-amarela em Angola, que se propaga desde dezembro, levou pela primeira vez à rutura das reservas mundiais de emergência da vacina.

A doença já se propagou de Angola à vizinha República Democrática do Congo (RDCongo), que regista, segundo as últimas informações disponibilizadas à OMS, até 11 de julho, um total de 1.798 casos suspeitos e 85 vítimas mortais. Também foram “exportados” casos para o Quénia (dois) e a China (11), com a OMS a sinalizar a ameaça de propagação global da doença através de viajantes não imunizados contra a doença.

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As campanhas de vacinação em Angola recorrem desde fevereiro, inicialmente apenas em Luanda, ao apoio dos militares e contam com ajuda financeira e técnica da OMS e da comunidade internacional, para a aquisição de vacinas. A transmissão da doença é feita pela picada do mosquito (infetado) “aedes aegypti” que, segundo a OMS, no início desta epidemia, estava presente em algumas zonas de Viana, Luanda, em 100% das casas.

Trata-se do mesmo mosquito responsável pela transmissão da malária, a principal causa de morte em Angola, e que se reproduz em águas paradas e na concentração de lixo, dois problemas (época das chuvas e falta de limpeza de resíduos) que afetaram a capital angolana desde agosto passado.