As autoridades iranianas procederam à destruição, neste fim de semana, de cem mil antenas parabólicas, numa iniciativa que faz parte de uma campanha para eliminar estes aparelhos, considerados ilegais no país. Para o o governo de Teerão, as antenas parabólicas, e o acesso que proporcionam a canais de televisão internacionais transmitidos via satélite, criam insegurança, cultivam vícios e alimentam o aumento dos divórcios.

A cerimónia de destruição das antenas e de outro material que permite a receção do sinal de tv, foi presidida por um general do exército do Irão, Mohammad Reza Naghdi, líder da milícia Basij, um braço dos guardas revolucionários, criado pelo Ayatollah Khomeini em 1979, após a revolução que depôs o regime do xá Reza Pahlevi. “A maior parte dos canais de televisão por satélite desviam a moral e a cultura da sociedade”, afirmou o chefe da milícia durante o evento.

Naghdi revelou que o total de um milhão de cidadãos iranianos tinha entregado, voluntariamente, os seus dispositivos às autoridades. De acordo com a legislação em vigor no Irão, o equipamento que permite ter acesso à televisão por satélite é proibido e quem o distribua, use ou repare fica sujeito a multas que podem atingir 2.500 euros. Para tentar garantir que ninguém desrespeita a lei, são frequentes, no país, as rusgas da polícia com o objetivo de confiscar as antenas parabólicas que são instaladas no topo dos edifícios.

O tema não é pacífico entre os responsáveis políticos do Irão. Ali Jannati, ministro da Cultura, defendeu, nesta sexta-feira, uma revisão da lei porque, se a utilização de antenas parabólicas é proibida, “a maior parte das pessoas usam-nas”, numa proporção que calcula atinja 70% da população.

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As afirmações de Jannati foram criticadas por Mohammad Reza Naghdi: “aqueles que têm a responsabilidade sobre os assuntos da cultura deviam ser honestos com o povo em vez de irem atrás daquilo que lhes agrada”. O chefe da milícia Basij acrescentou que a “maior parte dos canais por satélite fragilizam os alicerces das famílias, mas também provocam disrupções na educação das crianças que, sob a influência destes canais, assumem comportamentos impróprios”.

Hassan Rouhani, o moderado que é presidente do Irão, é um adepto da revogação da legislação em causa. O político, que termina o mandato em julho de 2017, tem defendido que a proibição dos canais por satélite, que transmitem em farsi, e a partir do estrangeiro, informação, entretenimento, filmes e séries, é “desnecessária e contraproducente”.