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Para uns, visionário. Para outros, aventureiro. Elon Musk, o fundador e CEO da Tesla, pode não ser a figura mais consensual, mas é um personagem incontornável do actual panorama automóvel internacional. Até porque ambição não lhe parece faltar. Veja-se os novos planos que acaba de revelar para a Tesla, e que, a materializarem-se, de facto farão da empresa norte-americana muito mais do que um “mero” fabricante de automóveis. Tudo assente numa visão empresarial livre de carbono, que ofereça uma ampla gama de veículos, produtos e serviços que vão muito para além dos automóveis eléctricos e das baterias.

Desde logo, Musk pretende que a Tesla marque presença em todos os principais segmentos do mercado, inclusive no dos SUV, pick-up, camiões e autocarros. Naturalmente, sempre com veículos animados por motores eléctricos e isentos de emissões poluentes. À partida, as primeiras propostas da marca neste domínio serão reveladas já em 2017.

A condução autónoma pretende ser outras das mais fortes apostas da Tesla. Tanto para os automóveis ligeiros como para os veículos pesados, de mercadorias ou de passageiros. O plano é garantir, a curto prazo, que os sistemas de condução autónoma conseguem ser, pelo menos, dez vezes mais seguros do que a própria condução humana.

E nem os serviços de mobilidade foram esquecidos. Nomeadamente a partilha de veículos. Por um lado, Musk pretende criar uma fórmula que permita aos próprios proprietários de um Tesla disponibilizarem o seu automóvel para utilização alheia, através de uma simples aplicação para smartphones. Por outro, a Tesla, ela mesma, irá criar uma frota de veículos para utilização partilhada, sobretudo nas cidades em que a procura exceda a oferta, assim se tornando numa concorrente da Uber e empresas afins.

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As coberturas e telhados com painéis fotovoltaicos integrados, capazes de produzir e armazenar electricidade sem alterar ou condicionar a arquitectura dos edifícios, são mais um elemento do extenso argumentário do empresário norte-americano no domínio da sustentabilidade. Também por isso, Musk voltou a frisar que a Tesla deveria adquirir e integrar as operações do instalador de painéis solares SolarCity, empresa de que, por sinal, é presidente e acionista maioritário, com 22%.

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Acérrimo defensor de que a sociedade deverá, mais tarde ou mais cedo (e, de preferência, mais cedo do que tarde…), alcançar uma economia energética sustentável, que evite o colapso da civilização por falta de combustíveis fósseis, o discurso de Musk assenta, em boa parte, num facto indesmentível: o preocupante aumento dos níveis de carbono na atmosfera e nos oceanos.

Mas por esclarecer ficou como serão estes, e outros, novos projectos financiados – o que não será de somenos quando se sabe que tanto a Tesla como a SolarCity têm efectuado recentemente vários e avultados investimentos: em Maio, a Tesla emitiu 1,7 mil milhões de dólares em novas acções e, ainda esta semana, a SolarCity ampliou a sua dívida em mais 110 milhões de dólares. Musk não se pronunciou sobre esta vertente do seu ambicioso plano, mas alguns especialistas na matéria já o fizeram: apontam para verbas na ordem dos 3 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros), havendo mesmo quem defenda que com menos de 5 mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros) não será possível levá-lo a bom porto. Inquestionável parece ser que, para reunir tal montante, mais não restará à Tesla do que ir, novamente, ao mercado bolsista, e emitir mais acções.

Os analistas referem, por exemplo, que só em novos componentes e equipamento de produção, a nova pick-up e o novo SUV poderão custar à Tesla entre 500 e 750 milhões de dólares, e isto partindo do princípio que uma boa parte dos seus elementos mecânicos provirá de outros modelos da Tesla já existentes. Quanto ao camião e ao autocarro, cada um deverá obrigar ao investimento de mais de meio milhão de dólares.