O comité diretor do grupo Ad Hoc de Credores da Oi manifestou-se nesta segunda-feira satisfeito com a ratificação do pedido de recuperação judicial da operadora de telecomunicações brasileira. Em comunicado citado pela imprensa brasileira, o comité informou que “continua a trabalhar junto da empresa para seguir com um plano substancial de desalavancagem financeira no balanço” e acrescentou ter dado início a discussões com representantes de outros credores.

No documento, o comité referiu também estar “comprometido em identificar formas de recuperação de valor para a Oi que não sejam apenas uma transação aceitável pelos detentores de títulos com garantia Telemar e não-Telemar”, ao contrário do fundo Aurelius.

O comité citou um comunicado distribuído pela Aurelius a 22 de julho, que “é claramente designado mais para marcar uma agenda do que valorizar a maximização para todos os credores, é baseado em informações incompletas e equivocadas sobre a legislação brasileira”.

As oito instituições que compõem o comité diretor de credores somam aproximadamente 2 mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) em títulos, na proporção de cerca de 60% garantido por papéis não-Telemar e 40% Telemar.

O comité como um todo detém cerca de 40% dos títulos da empresa e congrega cerca de 70 membros de diversas instituições financeiras e de investimento com sede na Europa, Ásia, América e no Médio Oriente. Os membros do comité, em conjunto, somam aproximadamente 4 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) em títulos da Oi e das suas subsidiárias.

Cerca de 60% das participações são com garantia não-Telemar (emitidas pela Portugal Telecom International Finance B.V, Oi Brasil Holdings Coöperatief U.A. e Oi S.A.) e 40% são Telemar (emitidas pela Oi S.A.).

Na sexta-feira, os acionistas da Oi aprovaram o processo de recuperação judicial da empresa, pedido a 20 de junho, na sequência de a gigante de telecomunicações não ter conseguido negociar a sua dívida de 65,4 mil milhões de reais (18 mil milhões de euros).

A aprovação ficou marcada por várias discussões, a maior parte delas relacionadas com a oposição de alguns acionistas em relação a participação da Bratel BV na votação.

A Bratel BV é controlada pela empresa portuguesa Pharol, que detém participação indireta de cerca de 22% do capital total da operadora brasileira, constituindo 27,49% das ações ordinárias. No final, a mesa da assembleia acabou por decidir pela participação da Bratel BV na votação, que se manifestou favorável da recuperação judicial.