Chama-se Pokémon Go, é o jogo do momento e isso teve reflexos na empresa que o detém, a Nintendo. Em duas semanas esse sucesso traduziu-se numa valorização de 70% nas ações da empresa. Mas a própria empresa japonesa deixou o aviso aos investidores: as receitas geradas através da sua parcela da Pokémon Company, que detém os direitos do jogo, seriam limitadas e não iriam rever-se nas suas receitas, noticia a Reuters.

O aviso teve efeitos imediatos e refletiu-se esta segunda-feira na bolsa japonesa, com as ações da Nintendo a sofrerem uma queda de 17,72%, a maior descida diária desde 1990, segundo a Bloomberg. Só na sessão desta segunda-feira, o valor de mercado da empresa caiu 708 mil milhões de ienes (cerca de seis mil milhões de euros). Ainda assim, a empresa continua a valer mais cerca de 60% do que antes do lançamento do jogo na Austrália e na Nova Zelândia a 6 de julho.

A empresa chegou a duplicar de valor e a capitalização bolsista a aumentar 2,46 biliões de ienes (21,15 mil milhões de euros) em menos de duas semanas. Mas a subida a pique do valor dos títulos obrigou a gestão da Nintendo a colocar um travão no entusiasmo — que num comunicado enviado sexta-feira avisou que não ia fazer uma revisão em alta das estimativas para as receitas e para os lucros, apesar do sucesso do jogo. Deixou claro que o impacto da aplicação nas suas contas seria limitado.

A Nintendo tem uma participação na Niantic, a criadora do Pokémon Go, e também na The Pokémon Company. A dimensão das posições não é pública, mas os analistas da Macquarie estimam uma participação económica efetiva de apenas 13% na aplicação.