A investigação da morte de Sara Moreira, uma jovem de Penafiel que foi diagnosticada com ansiedade após 11 visitas às urgências, e que acabou por morrer com um tumor na cabeça, já só deverá continuar com um inquérito do Ministério Público de Penafiel.

Isto porque, apesar de terem sido abertos vários inquéritos — pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), pela Administração Regional de Saúde do Norte e pela Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa –, o facto de a morte ter acontecido em 2013 já fez o caso prescrever.

A IGAS comunicou à Assembleia da República que o inquérito não foi aberto porque não ter “competência” para investigar o caso, “por efeito de prescrição”, informa o Diário de Notícias na sua edição desta quarta-feira. Num ofício entregue aos deputados do Bloco de Esquerda José Soeiro e Moisés Ferreira, o organismo explica que os “factos ocorreram há mais de um ano”, pelo que não pode iniciar um inquérito à morte de Sara Moreira.

De acordo com uma fonte ligada à IGAS, ouvida pelo DN, os inquéritos que deveriam ser iniciados pela Administração Regional de Saúde do Norte e pela Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa também não deverão poder avançar, por se tratar de processos essencialmente administrativos.

O único inquérito que deverá concluir se houve ou não negligência médica é o do Ministério Público. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, o processo estava a aguardar um parecer do Conselho Médico-Legal desde dezembro de 2014, documento esse que já foi remetido para o Ministério Público de Penafiel, segundo o DN.

Sara Moreira foi 11 vezes às urgências do Hospital Padre Américo, em Penafiel, durante três anos. A jovem, de 19 anos, foi observada por sete médicos diferentes, e nunca foi submetida a um exame. Morreu dois depois da última visita ao hospital, devido a um tumor de 1,670 quilogramas que tinha na cabeça, e que nunca tinha sido identificado pelos médicos.