Relatório da Polícia Federal do Brasil indica que o ex-Presidente Lula da Silva e a sua mulher Marisa Letícia orientaram as obras realizadas numa casa de campo em Atibaia, avança o jornal Folha de S. Paulo. O local é alvo de investigação do Ministério Público Federal, que analisa se as obras terão sido pagamentos feitos pelo empresário José Carlos Bumlai e pelas construtoras Odebrecht e OAS, réus da Operação Lava Jato. As autoridades brasileiras também analisam se Lula da Silva é o verdadeiro proprietário da propriedade rural, o que representaria crime de ocultação de património.

Segundo lê-se no documento, citado pela publicação, “a execução [da reforma na casa de campo] foi coordenada por arquiteto da empreiteira OAS, Sr. Paulo Gordilho, com conhecimento do presidente da OAS, Léo Pinheiro, e com orientação do ex-presidente Lula e sua esposa, conforme identificado nas comunicações do arquiteto da empreiteira e de Fernando Bittar.”

Ainda de acordo com a Folha de S. Paulo, as reformas na propriedade rural começaram a ser projetadas em setembro de 2010 e tiveram início em novembro daquele ano, altura na qual Lula da Silva exercia o seu segundo mandato como Presidente do Brasil.

O site G1 relata que a casa de campo está em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna, dois sócios de um dos filhos do ex-Presidente, e que o valor total da reforma será de 468 mil euros. Segundo o relatório, este valor é incompatível com o rendimento declarado por Bittar, mas sugere uma investigação mais detalhada sobre o assunto.

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O jornal Folha de S. Paulo descreve que Bittar afirmou às autoridades brasileiras, em março, que Marisa Letícia terá sido responsável por coordenar as obras na casa de campo e que caberia à ela esclarecer quem foi o autor dos pagamentos feitos para a realização da reforma. Bittar também terá dito que parte da obra foi conduzida por um engenheiro da Odebrecht, e outra por um arquiteto da OAS.

No relatório da Polícia Federal realizado em março, já havia sido indicado que a propriedade rural foi reformada para atender as demandas de Lula da Silva e da sua família e que no local havia diversos objetivos pessoais do ex-Presidente, mas nenhum de Bittar ou Suassuna.