“Uma Pastelaria em Tóquio”

Habitualmente ligada a um cinema de autor com forte lastro autobiográfico e documental, a japonesa Naomi Kawase assina aqui o seu primeiro filme baseado num romance, e apontado a um público mais amplo do que o costume. “Uma Pastelaria em Tóquio” põe em cena um pasteleiro que não consegue acertar com o recheio de doce de feijão vermelho das suas panquecas tradicionais, as “dorayaki”, uma velhota algo excêntrica e especialista na confeção do dito doce, e uma liceal solitária que vive com a mãe divorciada e um canário. O tema da família, muito presente na obra da realizadora, surge de novo, de forma mais subtil, nesta fita delicadamente sóbria, elíptica e melancólica, entre cerejeiras em flor e segredos pessoais, e que apesar de ser sobre coisas doces, sabe que os momentos de felicidade são breves e que a vida tem tendência a ser mais para o amargo.

“Vencer a Qualquer Preço”

Este filme sobre o escândalo de “doping” que comprometeu Lance Armstrong e o levou a ser despojado dos seus títulos de vencedor da Volta à França e banido do ciclismo para sempre em 2012, é tanto mais dececionante por ser assinado por um realizador como Stephen Frears. Adaptado de “Seven Deadly Sins: My Pursuit of Lance Armstrong”, o livro de David Walsh, o jornalista do “The Sunday Times” que seguiu e investigou o campeão americano durante anos,”Vencer a Qualquer Preço” não se distingue do mais ilustrativo, rotineiro e anónimo telefilme, e a escolha do indistinto Ben Foster para interpretar uma figura como Armstrong também não foi a mais indicada. Sobre o mesmo caso, há também um documentário realizado por Alex Gibney, “The Armstrong Lie” (2013).

“Jason Bourne”

Depois de ter personificado Jason Bourne em três filmes desta série sobre a personagem criada por Robert Ludlum, dois deles realizados por Paul Greengrass, Matt Damon decidiu tirar uma folga e disse que só voltaria a interpretar Bourne sob a direcção de Greengrass, que entretanto havia dito que apenas um bom argumento o faria regressar. O quarto filme, “O Legado de Bourne” (2012), foi realizado por Tony Gilroy, habitualmente co-argumentista da série. Neste, a personagem de Bourne é apenas mencionada e Jeremy Renner faz um agente da CIA atingido por denúncias públicas feitas por Jason Bourne. Os regressados Damon e Greengrass, também co-autor do argumento, dão agora nova vida à série em “Jason Bourne”, apresentado como uma continuação de “Ultimato” (2007), o terceiro filme da mesma. Tommy Lee Jones e Alicia Vikander também estão no elenco.

“Barry Lyndon”

Recebido com deceção por boa parte da crítica quando da estreia, em 1975, “Barry Lyndon” foi minimizado durante anos e considerado um filme menor na obra de Stanley Kubrick. Mas “Barry Lyndon” sempre teve defensores ferrenhos, entre cinéfilos, críticos e realizadores (caso de Marin Scorsese ou Lars von Trier), foi reavaliado com o correr dos tempos e consta hoje das listas dos Melhores Filmes de Todos os Tempos da “Sight and Sound”, “Time” ou “Village Voice”. De volta aos cinemas agora em versão digital restaurada, este filme baseado no livro “The Luck of Barry Lyndon”, de Thackeray, confirmar-se como sendo uma das melhores e mais esplendorosas realizações de Stanley Kubrick. “Barry Lyndon” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.

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