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Reações à morte de Moniz Pereira. Um "homem bom" que era uma "máquina de fazer campeões"

Este artigo tem mais de 4 anos

Marcelo Rebelo de Sousa fala num "homem bom", cujo "exemplo reforça ainda mais a vontade" dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos. Bruno de Carvalho diz que era uma "máquina de fazer campeões".

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República
“Um homem bom”

Numa nota divulgada pela Presidência da República, lê-se que “foi com muita emoção que o Presidente da República tomou conhecimento do falecimento do professor Moniz Pereira”. Na mesma nota de Marcelo Rebelo de Sousa, o antigo treinador de atletismo é recordado como “um homem bom, que deixa que deixa uma vida repleta de bons exemplos, de devoção ao Desporto e aos desportistas, tendo ele próprio sido uma glória do atletismo nacional”.

É ainda destacado que, em vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam a 5 de agosto, “o seu exemplo reforça ainda mais a vontade todos os desportistas nacionais de se superarem e obterem resultados que o honrem e o recordem como grande motivador do nível que o nosso atletismo e o nosso desporto têm atingido”.

Ferro Rodrigues, presidente da AR
“Muitas das vitória e recordes do atletismo têm a sua mão”

“A morte do Professor Mário Moniz Pereira é uma perda para Portugal, para o Desporto, para o Atletismo, para o Patriotismo e para o Sporting Clube de Portugal. Estou solidário com todos os que lamentam, sinceramente, a morte de Mário Moniz Pereira. Muitas das vitórias e recordes inolvidáveis do atletismo português, desde há mais de 30 anos, têm a sua mão de treinador e de compositor. Quero expressar à família e amigos de Mário Moniz Pereira, os meus sentimentos”.

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Carlos Lopes, ex-atleta
“Vai com o sentimento de dever cumprido”

Carlos Lopes foi o primeiro atleta português a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, ao ter ficado em primeiro na maratona dos jogos de Los Angeles, em 1984. Por trás desse êxito, estava Moniz Pereira. “Tenho de reconhecer que ele esteve sempre presente nos melhores momentos da minha carreira”, referiu o atleta, em declarações à TVI. “Ele acreditou, eu acreditei, todos nós acreditámos em grandes possibilidades e em grandes momentos.”

Agora que Moniz Pereira morreu, Carlos Lopes diz que o seu antigo treinador “vai com o sentimento de dever cumprido, ao longo de muitos anos, por acreditar no trabalho e acreditar nas pessoas com quem trabalhou e nas pessoas que lhe eram muito próximas”.

Fernando Mamede, ex-atleta
“Morreu-me um pai”

Em declarações à RTP, o ex-atleta Fernando Mamede, que foi treinado por Moniz Pereira, contou como tinha estado com ele há uma semana. Ele estava bem”, referiu, apesar da idade de que “se esquecer muito das coisas que lhe diziam”. Emocionado perante a notícia, resumiu-a dizendo: “Morreu-me um pai”. Foi sob a orientação de Moniz Pereira que Fernando Mamede bateu o recorde mundial de 10 mil metros em Estocolmo. “Era um homem fabuloso, um treinador fabuloso, fez de mim um corredor a ser recordista do mundo dos 10 mil metros e se mais não aconteceu comigo foi porque o meu sistema nervoso não o permitia”.

Fernando Mamede recordou-lhe ainda a persistência com que promoveu o atletismo português: “Em 1975, ele apostou em meia dúzia de atletas de alta competição e fez um programa de que algumas pessoas se riam e diziam que ele não ia ter êxito, que não era possível esta meia dúzia de atletas ter ascensão internacional”. Essas previsões acabaram por ficar erradas, com a geração de Fernando Mamede e Carlos Lopes a prová-lo. “Ele mostrou por A mais por B que, treinando um pouco, mesmo sem tendo as condições dos atletas estrangeiros, éramos capazes.”

Bruno de Carvalho, presidente do Sporting
“Um homem que fabricou campeões”

“Ele será sempre o senhor atletismo, será sempre uma referência para o Sporting e para o desporto nacional”, disse o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, em declarações à SIC Notícias. “Ele abandonou-nos fisicamente pelo que é impossível abandonar-nos de outra forma, ele fará parte integrante sempre daquilo que é o clube a que ele se dedicou toda a vida com a paixão que todos nós reconhecemos”, disse ao telefone.

Sobre o legado de Moniz Pereira, Bruno de Carvalho disse que a sua herança foi transformar “o atletismo não só do Sporting, como o nacional”. “Um homem que fabricou campeões que ganharam tudo o que havia para ganhar”, foi outra maneira que o presidente do Sporting encontrou para descrever o antigo treinador.

Bruno de Carvalho recordou ainda a maneira como entrou em contacto com Moniz Pereira, na altura em que se tornou presidente do Sporting e o ex-treinador de atletismo estava preocupado. “O Moniz Pereira estava um pouco preocupado com aquilo que seria o futuro do atletismo, a sua grande paixão”, disse, referindo que, com o passar dos tempos, “tudo foi evoluindo por que se foi vendo que ele estava cada vez mais satisfeito, mais contente, porque continuávamos a fazer uma aposta muito forte no atletismo”.

Naide Gomes, atleta
“Graças a ele fui a atleta que fui”

“Ele é o senhor atletismo e vai ser sempre o senhor atletismo”, disse Naide Gomes à TVI. “Graças a ele fui a atleta que fui”, referiu. “Graças aos conselhos e ao olho que ele teve nas minhas capacidades, pude chegar aonde cheguei.”

Nelson Évora, atleta
“Obrigado por tudo!”

RIP Professor Mário Moniz Pereira. Obrigado por tudo!

A photo posted by Nelson Évora (@nelson_evora) on

Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo
“Cada história dele era uma abria as fronteiras de todos nós”

O presidente da Federação Portuguesa falou de “um homem que inspirou toda uma geração”, que foi o primeiro a acreditar e a concretizar “que os atletas poderiam chegar tão longe como qualquer outro atleta estrangeiro”.

Em declarações à RTP, Jorge Vieira, que também foi treinado por Moniz Pereira, recordou a carga motivacional que passava para os seus atletas. “Muito antes de se falar em palestras motivacionais para as empresas, ele dava-nos a nós autênticas palestras motivacionais desde os anos 70.” Nessas alturas, “cada história dele era uma história de de vida, uma história de motivação, era uma história que abria as fronteiras de todos nós para acreditarmos que era possível”.

Sobre a “ditadura do futebol”, termo militantemente usado por Moniz Pereira para se referir ao domínio daquela modalidade sobre as outras, Jorge Vieira destacou a linha de pensamento do antigo treinador. “Os atletas não tinham notoriedade, o que levava a que não fossem reconhecidos, e consequentemente também não tinham os apoios”, recorda. “E ele conseguiu mudar bastante essa realidade.”

Sousa Cintra, ex-presidente do Sporting
“Ele tinha sempre uma palavra para resolver as coisas”

À SIC Notícias, Sousa Cintra referiu que Moniz Pereira “foi um homem de série”. “Portugal deve muito ao Moniz Pereira e o Sporting em particular, porque toda a sua vida ele fez pelo Sporting”, disse o presidente daquele clube entre 1989 e 1995.

“Eu tive o prazer e honra de trabalhar com ele muito tempo”, recorda. “Vi o entusiasmo e otimismo dele, ele transmitia uma garra importante aos atletas”, garante. “Ele tinha sempre uma palavra para resolver as coisas. Eu diria mesmo que não era um homem que se desse por vencido por qualquer coisa. Ele dizia que era para vencer, para vencer, vencer, vencer e… vencíamos”, recorda. “Ele dizia aquilo de alma e coração (…). Ninguém ficava indiferente.”

Além dos feitos desportivos, destacou o seu papel na música, particularmente no fado, e das suas letras. “Que vários artistas famosos cantem os seus versos”, deixou, em jeito de apelo.

Carlos do Carmo, fadista
“Um português absolutamente extraordinário”

Moniz Pereira e Carlos do Carmo eram “amigos íntimos”, como referiu o fadista em declarações à RTP. “O fado era uma das formas de nos aproximarmos, porque nós éramos íntimos amigos, era um acréscimo”, referiu o fadista, que recordou que Moniz Pereira compôs a canção Fado Varina, do seu álbum “Um homem na cidade”.

No campo desportivo, Carlos do Carmo disse estar-se “em presença de um português absolutamente extraordinário”. “Um homem que ganhou tudo o que havia para ganhar num tempo em que Portugal não ganhava nada. Zero vírgula zero”, recorda. “Era exigente, sim. Com ele próprio. Começava por ser exigente com ele próprio”, referiu ainda, contando como chegou a vê-lo engripado, já fora dos anos da sua juventude, porque estava acompanhava o treino dos seus atletas debaixo da chuva.

Num episódio pessoal, contou a vez que convenceu Moniz Pereira a beber álcool pela primeira vez, num almoço de anos do antigo treinador, onde o calor se fazia sentir. “Ó Mário, não queres experimentar um bocado de vinho?”, sugeriu-lhe o fadista. Apesar de ter recebido como resposta algo como ‘ó, Carlos, eu não bebo, eu não aprecio’, o hábito quebrou-se. “Consegui, isto é histórico, que ele bebesse, sei lá, menos de meio copo de vinho.”

Partido Socialista
“Uma perda irreparável”

Em comunicado, o Partido Socialista referiu que “o desporto português sofreu hoje uma perda irreparável com a morte do professor Mário Moniz Pereira”. Referindo a sua dedicação ao Sporting, clube onde sempre foi treinador, a nota dos socialistas refere ainda que “o seu nome ficará também indelevelmente ligado à conquista da primeira medalha de ouro de um atleta português em Jogos Olímpicos, através de Carlos Lopes, ou do recorde mundial dos 10 mil metros, de Fernando Mamede, dois feitos inolvidáveis de uma tremenda carreira de sucesso como técnico de atletismo”.

(Em atualização)

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